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Festival de inverno em São João del Rey

Segundo alguém que não lembro o nome, o que caracteriza São João del Rey, é o barulho dos sinos...
Realmente. Você acorda com o bimbalhar, dorme com eles e se bobear, passam a ocupar permanentemente um lugar na sua cabeça. É o tempo todo bim bão bim bão, sempre tem alguma coisa durante todo o dia que mereça ser bimbalhada...
Chegamos em pleno festival de inverno e como sempre minha mulher promoveu uma conferência entre as comadres em uma rua pra saber onde tinha um restaurante pra gente almoçar. Ela tem esse dom, criar verdadeiros seminários populares para nos fornecer informações. Pois bem este nos indicou, depois de serem discutidas várias alternativas, todas descartadas, um restaurante que era meio pé sujo, mas tinha boa comida e era barato. Em um outro seminário, este de garçons e alguns fregueses, foi nos indicado um hotel bem razoável, por sinal de propriedade do dono do restaurante, o que me levou a desconfiar da imparcialidade do seminário mas, enfim, o hotel era bom, recém inaugurado e acho que os únicos hospedes éramos nós.
Alimentados e abrigados, toca a andar... E haja igreja e haja sino...
Andando, andando, chegamos ao Memorial Tancredo Neves. Merece uma visita. Recomendo a quem vai a Sâo João uma parada de umas duas horas para conhecer o Memorial. Pelo menos fica meio fechado e você fica um tempinho livre dos sinos, mas é um personagem importante e as senhoras que tomam conta do local são extremamente simpáticas.
São João tem ainda um excelente museu ferroviário pra quem gosta do tema e muito barroco em igrejas antigas. Deve realmente ser curtida devagar, sem pressa como soe a mineirice.
O melhor, entretanto, ficou pra noite quando resolvemos procurar um show musical do festival de inverno, evidentemente sem ler o programa e sem conhecer a cidade.  Depois de muita procura,fomos parar em um prédio antigo, estilo colonial, com muitas janelas abertas, muita gente circulando por lá, numa rua toda iluminada com gambiarras de luzes e com a banda de música da policia a postos.
- Deve ser aqui, falamos e, realmente, o lugar tinha toda cara de um festival de música. O prédio estava aberto e com uma escadaria bem convidativa. Subimos lentamente a escada, eu de calça jeans  surrada, uma  camiseta meio velha e por cima,  um agasalho bem furreco, minha mulher de tênis, com  um agasalho laranja  que ela adorava, e uma calça de ginástica azul marinho que  já tinha conhecido melhores tempos. Bem esportivos. Ao chegarmos em cima,  um senhor de terno escuro bem solene, chegou pra nós e perguntou:
-Boa noite, querem  assinar o livro de visitas?
- Não, respondemos, onde é o festival?
- Não é festival, respondeu ele, estamos prestando uma homenagem ao bispo que vai nos deixar porque foi nomeado arcebispo.
Ficamos com cara de tacho, disfarçamos um pouco por ali e fomos andando de fininho na direção da escada pra cair fora antes que o novo arcebispo chegasse. Quando estávamos descendo, cruzamos com os guardiões do santíssimo,  subindo, paramentados com suas opas, que nos olharam de cima abaixo com caras de desconfiados.
Na rua, a furiosa atacou o dobrado Batista de Melo, peça obrigatória em qualquer solenidade que se preza. Viramos a primeira esquina e desaparecemos na noite.
Mas que foi um senhor mico, lá isso foi...
 
ZéCarlos
Enviado por ZéCarlos em 03/09/2005
Reeditado em 04/09/2005
Código do texto: T47231
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Sobre o autor
ZéCarlos
Cabedelo - Paraíba - Brasil
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