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De Amsterdã ao Plenário

A personalidade e o caráter de uma pessoa são mostrados pelas suas atitudes.
"Um homem que a política não muda, consolidou a mudança de opinião de muita gente a seu respeito depois que foi curto, grosso e usou um timbre de voz grave completamente oposto a do nosso conhecido tenor americano "Robert Jeffer", com o Abominável homem das neves Deputado Severino Cavalcanti .
"Ou Vossa Excelência começa a ficar calado ou vamos iniciar um movimento para derrubá-lo".
Essa a frase que, em tom grosseiro e com muita indignação, foi dita pelo Deputado Fernando Gabeira ao presidente da Câmara, que hoje já é detentor do mais novo adjetivo criado pela mídia, o "Mensalinho"
Surpreendeu pelo tom da voz e foi aplaudido de pé até por quem no passado temia vê-lo governar o Rio de Janeiro de tanga e fumando maconha no Palácio Guanabara.
Mas nessas horas em que os políticos perdem inteiramente a credibilidade, Fernando Gabeira faz a diferença.
Jornalista e escritor há mais de duas décadas, um pouco grisalho já, porem menos extravagante na indumentária, não há nada mais jovem e abusado no Congresso Nacional.
Poucos discursos resistem ao tempo. Em geral o que se disse ontem não faz mais qualquer sentido hoje.
Mas Gabeira é uma rocha sólida de coerência nesse atoleiro movediço de lamas da política brasileira. Suas declarações na época em que deixou o PT, em 1983, continuam absolutamente atuais.
No futuro, quando lembrarem que da ala do PT quem primeiro se rebelou contra os rumos do governo Lula, seu nome estará à frente do da senadora Heloísa Helena.
A serenidade com que foi flagrado saindo pela porta da frente do PT mereceu do jornalista Elio Gaspari epitáfio de quem vai para o Céu: "Bendito o país que tem Gabeiras, gente que sabe dizer quando vai embora". É a glória!
Sempre que as esquerdas se vêem em apuros, se apegam ao Gabeira. Da geração de esquerda que entrou na vida parlamentar decidida a mudar a cara da política, talvez seja o único que continua com a mesma cara.
Por outro lado é defensor da legalização da maconha, da regulamentação das prostitutas, da união civil homossexual, da prática do nudismo, dos direitos dos presidiários e da liberdade sexual.
Temas que ainda são verdadeiros tabus num país em desenvolvimento como o Brasil.
Aos 62 anos, mistura ainda ousadia e modernidade na fala pausada de quem está curtindo o que diz. Faz charme com seus vícios mais recorrentes, como o de linguagem para separar orações: "Entende?", para ele, é vírgula. Não tem embocadura, sotaque, cacoete e nem pinta de parlamentar.
É um estranho no ninho em Brasília.
Critica publicamente as 5 horas de discursos que tem que aturar no plenário da Câmara e diz que é tudo muito heterogêneo, previsível e moralista, quando não é patético. Também não perde tempo com discussões inúteis. Quando não tem algo importante para dizer ou ouvir, procura um canto do plenário para ler.
Naturalista, não come carne há 30 anos e segundo ele faz tempo que não vai a Amsterdã.
"Amsterdã", no dialeto de Gabeira, é um lugar – não necessariamente a cidade holandesa – onde o consumo de maconha não fere o decoro parlamentar. "Passo longos períodos sem ir a Amsterdã e às vezes vou à Amsterdã todo dia." Entende?
Quando volta à realidade do Congresso, diz ele que tem a sensação de que a democracia está em decadência.
Gabeira cumpre mandato até 2006, não descarta a possibilidade de tentar a reeleição, mas já tem planos de escrever um livro avaliando sua passagem pela política convencional, a exemplo das contas que prestou em "O Que É Isso, Companheiro?" de sua militância na luta armada.
Que segundo ele foi um sonho errado que lhe fez perder pedaços do rim, do fígado e do estômago, além de 10 anos de exílio".
Fernando Gabeira é considerado um ícone da política brasileira pela sua competência, atuação e postura ética no Congresso Nacional."
E é segundo alguns especialistas, a esperança de algo novo no poder.
Agora cá entre nós ...
Já pensou esse homem comandando o nosso titanic? Fumando (charutos holandeses), desfilando nas praias brasileiras não mais de tanguinha de crochê, mas sim de tapa sexo fabricado em lycra fiorucci, sendo aplaudido de pé pelos (turistas de Amsterdã), seguido pela passeata da comunidade gay, endeusado pelas prostitutas, com gritos de liberdade da população carcerária e mais uma leva de adeptos do nudismo?

Seria simplesmente "incredible!"

Vincent Benedicto
04/09/2005

Vincent Benedicto
Enviado por Vincent Benedicto em 05/09/2005
Reeditado em 25/02/2006
Código do texto: T47684
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Sobre o autor
Vincent Benedicto
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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