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DOCES DELETÉRIOS

 Demorei para escrever sobre o novo CD da Los Hermanos. "Sei lá", como diria Rodrigo Amarante. Não é fácil escrever a respeito de algo único e mágico e sincero em tempos tão pra lá de difíceis. Dá-me luz, ó deus do tempo! Não que a banda seja o melhor de tudo o que há. Mas só eu sei, nos mares por onde andei, eu nunca vi nada igual.

Esperei o momento do show para tentar escrever. Assisti-los ao vivo, quem sabe, facilitaria as coisas para esse texto há tanto travado em meu Word... Mas sei que o daqui temou de vir tenaz assim, feito passarim. Não conseguia mais escapar, tinha que escrever e descrever o que vi. Pensei: depois eu te escrevo e te conto o que eu vi e me mostro de lá pra você. Mas a apresentação foi perfeita e minhas palavras seguiram embargadas, tanto que demais via em tudo céu, fiz de tudo cais, dei-te pra ancorar doces deletérios.

E você que me lê e nunca parou para escutar Los Hermanos, vai ver, o acaso entregou alguém pra lhe dizer o que qualquer dirá. Não resista. Coloque o disco na vitrola. Se entregue às doces dores rasgadas de Amarante; se abandone às buarquianas construções de Camelo. Viver Ventura foi perfeito; o 4 é a continuação. O que virá depois? Deixa o amanhã e a gente sorri que o coração já quer descansar... Pois tanta beleza, às vezes, pesa na alma. Não tente me convencer que eu exagero. É que eu já sei de cor qual o quê dos quais e poréns, então, nada do que você disser me moverá. Só os pássaros vêm me levar aí visitar o céu. E me levam já ao soar dos primeiros acordes...

Hoje, finalmente, encaro a tarefa de escrever um pouco sobre Los Hermanos. Não sou uma fã alucinada, desvairada, descabelada, até porque não cabe para a situação. Levo assim calado de lá tudo que sonhei um dia. Serenamente adoro Los Hermanos. Seus sons, suas letras, suas vozes. Seu jeitinho de dizer as coisas mais bonitas como se nem fossem tão bonitas e como se nem mesmo estivessem dizendo. Meu Deus, eu pergunto, como pode alguém sonhar o que é impossível saber?

Sua própria melodia é que suavemente conforta meu indagar, afinal, como ouço todos os dias do singelo e profundo sussurrar em meus ouvidos, é morena, tá tudo bem, sereno é quem tem a paz de estar em par com Deus.

Escute e terá também.
Mulher de Sardas
Enviado por Mulher de Sardas em 12/09/2005
Código do texto: T49848
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Sobre a autora
Mulher de Sardas
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 36 anos
50 textos (9999 leituras)
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Mulher de Sardas