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Basta...

"Qualquer ato de violência baseado na diferença de gênero, que resulte em sofrimentos e danos físicos, sexuais e psicológicos da mulher; inclusive ameças de tais atos, coerção e privação da liberdade seja na vida pública ou privada".
(Conselho Social e Econômico, Nações Unidas, 1992)

Basta...

A cada 15 segundos uma mulher é espancada no Brasil e, a cada 12 segundos,uma é vítima de ameaça.
Por que então, a cada minuto não são registradas, no mínimo, seis ocorrências nas delegacias de polícia? Por uma verdade cruel: ainda há, no país, uma grande omissão diante dos casos de violência contra a mulher.

E o pior: muitas vezes por parte da própria vítima.

A violência contra a mulher existe, está aí, ao nosso redor, pode ser uma vizinha, estar na mesma rua, no mesmo bairro, mesma cidade e no mesmo país. É antigo e, apesar de ser abominável, de ser considerado o crime (geralmente encoberto), ainda é um dos atos contra a mulher mais praticados no mundo. Acredito ser a pior humilhação, imposição e discriminação sofrida pela mulher. Violência baseada no simples fato de ser mulher. Mais que marcas visíveis pelo corpo, a violência atinge a alma, destrói sonhos e acaba com a dignidade. Além da violência física, que vai de um "simples" empurrão a um "brutal" espancamento; Ou pior, ao subjulgo e violência sexual - onde a mulher é obrigada a praticar atos sexuais que não deseja, muitas vezes com o próprio marido - Existem também violências pouco reconhecidas, como a psicológica e amoral.

Durante décadas (e ainda nos dias de hoje) , o homem que  agredisse ou matasse uma mulher - esposa, namorada, amante, ex-esposa, ex-namorada ou ex-amante - tinha uma saída fácil para livrar-se da cadeia; Bastava alegar que estava lavando a honra com sangue - a chamada "legítima defesa da honra", um argumento que, como jabuticaba, só existe no Brasil.

Fatos assim acontecem, porque em nossa sociedade muita gente ainda acha que o melhor jeito de resolver uma briguinha, uma discursão é a violência; E, pode acreditar ainda existe o argumento que os homens são mais fortes e superiores às mulheres. É assim que, muitas vezes, amparados por este "argumento" da força bruta que maridos, namorados, pais, irmãos, chefes e outros homens acham que têm o direito de impor suas vontades às mulheres.

Embora muitas vezes o álcool, drogas ilegais, desemprego, pressão no dia-a-dia e ciúmes sejam apontados (leia-se desculpa) como fatores que desencadeiam a violência , na raiz de tudo ainda está a maneira como a sociedade dá valor ao papel masculino; O que por sua vez se reflete na forma de educar os meninos e as meninas. Enquanto os meninos são incentivados a valorizar a agressividade, a força física, a ação, a dominação e a satisfazer seus desejos, inclusive os sexuais, as meninas são valorizadas pela beleza, delicadeza, sedução, submissão, dependência, sentimentalismo, passividade e o cuidado com os outros.

Está na hora de dizer Basta...

"O tempo das cavernas já passou e bate na família que não devia nem bater com uma flor na mulher, nas crianças, mostrando toda autoridade de um homem primata, no seu machismo covarde. Quando você vê na rua uma mulher com olho roxo, tem certeza que ela é a mulher de um frouxo, um Zé Ruela que com ela é agressivo sem diálogo trata como égua porque é um cavalo, autoritário da família não tem autoridade além da força bruta, bate no filho, na filha, porque é um...."

(Gabriel O Pensador)
Tânia Aranha
Enviado por Tânia Aranha em 24/02/2005
Código do texto: T5008
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Sobre a autora
Tânia Aranha
Fortaleza - Ceará - Brasil
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Tânia Aranha