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Começando um chocolate

Começando um chocolate

Saltei do ônibus e pus-me a caminho da entrada do meu prédio da faculdade. No meio do caminho estava uma moça. Vendia docinhos, bombas e demais quitutes deliciosos que paravam as mais vorazes, não sei o porquê, mas nunca vi um homem parar sozinho numa barraquinha de doces.

Quantas coisas posso ver só de olhar pra uma cena como essa.

Chega a ser inumerável uma percepção desse tipo de cena, assim como qualquer cena que se passa em minha vida. Um complexo tão grande de empates dos egos particulares, mensagens embutidas em cada gesto feito, um breve e consistente relacionamento de seres humanos, trocas de experiências, trocas monetárias, todo um resumo social em um único instante.

O preço que se paga por ser consciente de todo o conhecimento acumulado até hoje. E um preço meio caro para a maioria das situações mundanas e corriqueiras, quais passam despercebidas e funcionam de modo automático para todos os não conscientes. Mas que a cada hora a cara minuto torna-se impossível não questionar, não se perguntar. Por quê!?

Dizem alguns que tudo não passa de tradições herdadas. Digo que essas tradições poderiam ser boas para épocas dos seus criadores, que com certeza as criaram com base na sua função pra seus problemas. Sejamos tão burros que continuamos a agir de maneira tão anacrônica? Puramente por tradição?

É como manter uma vida de pura ilógica só porque os antigos viveram-na daquele jeito. Evoluímos, pensamos e ao refletir com base em nosso tempo temos que nos modernizar.

Não apenas comprar tecnologias, mas avançarmos junto no âmbito social. As tradições são boas? São modos de coesão histórica? Seriam elas as bases que temos para desenvolver-nos? Então porque tomá-las como as próprias ações?

Muitas vezes não faz sentido. Mas somos, como um povo, acríticos. Pelo menos em relação ao nosso modos operandi.

Temos de criar, agir e desenvolver mais e aceitar menos. Assim nossas vidas não passariam tão avoadas em condutas impróprias e logicamente destorcidas só porque as tradições, os costumes e as inconsciências nos conduzem de modo diverso do mais moderno e contemporâneo.

Criou-se uma nova metodologia para acessar ônibus. Entramos pela frente e saímos por trás. Melhor para nós? Melhor para os empresários? Só sei que andamos contra o movimento do ônibus, quando entramos e quando vamos saltar. Temos toda uma inversão lógica do movimento, antes o avançar/freiar do ônibus condizia com o movimento da coluna do trocador, agora ele fica de lado prejudicando muito mais sua cervical. Seria esse mais uma tradição que deixaremos aos nossos futuros habitantes que não pensarão e adotarão com total falta de questionamentos? Não seremos nós mesmos vítimas desse nosso futuro?
leandroDiniz
Enviado por leandroDiniz em 20/09/2005
Código do texto: T52110
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Sobre o autor
leandroDiniz
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 34 anos
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3 e-livros (430 leituras)
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leandroDiniz