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UM FAROL EM MEU CAMINHO

A sua vinda de surpresa... Vindo de tão longe... Como você disse: “do meu endereço direto para o seu endereço”. E eram quase 500 quilômetros! Explodi de alegria, não poderia esperar essa prova tão grande de amor. E isso era o seu natural: você nasceu para o amor universal, aquele que se preocupa com o universo inteiro à sua volta como se fosse a sua família. Veio apenas porque sentiu, ao telefone, que minha voz estava triste e eu queria disfarçar. Sim, era triste demais e eu não sou boa atriz... E você, na sua simplicidade, sabia que poderia me ajudar e me confortar.

Foi incrível nosso papo. Claro que me abri, contei tudo, mostrei minha dor sem pudor algum, chorei muito. E o que eu não falei você adivinhou, ou melhor, captou pelo que de mim conhece há tantos anos. E tivemos então um diálogo perfeito: a sinceridade reinou, reinou um amor que poucos experimentam na vida, aquele amor que faz da amizade a coisa mais linda do mundo. Você não me deu conselhos. Compreendeu sem precisar fazer muitas perguntas. Não ouviu apenas as minhas palavras, mas apalpou e sentiu cada olhar, cada lágrima, cada suspiro que eu tentava abafar. Ainda sinto o calor de suas duas mãos nas minhas duas mãos. O aperto que quer transmitir coragem. Seu olhar era sério, compenetrado, mas guardava um sorriso que queria me passar esperança. Cada palavra sua era um cabedal de sabedoria. Cada gesto um convite que eu aceitava, repousando em sua acolhida. Foram horas intensas de uma troca enriquecedora.

Ao sair, na madrugada, de meu endereço direto para o seu, você me fez uma promessa: “Eu venho ver você vivendo feliz com esse homem que é seu verdadeiro amor. A vida lhe deve isso.” E eu fiquei enriquecida de você, como sempre aconteceu. Nunca conheci ninguém que entende e vive o amor como você.

Você saiu para quase 500 quilômetros de volta. Seu gesto de vir me fez gloriosa: eu me senti a pessoa mais privilegiada entre todas as pessoas privilegiadas do mundo.

Dois dias depois me ligou avisando que estava de partida para a casa realmente sua, em outro país. Para mim parecia que você iria até a casa de um vizinho e voltaria logo. A despedida foi um ardoroso beijo e a afirmativa: “vai em frente, menina, eu acredito em você!” Desliguei sorrindo, sentindo a força e a verdade de sua palavra.

Ontem, um telefonema. A notícia: você partiu para sempre. Uma estrada que não conheço, num país que não conheço, encerrou sua vida. Não entrei em desespero, sei que você não gostaria disso. Fiquei triste, aceitei, não consegui chorar. Hoje me sinto sem chão. Ah, pudesse eu trocar essa “viagem” com você! Você faz muita falta a tanta gente, eu não faria falta a ninguém. E sei que, se me ouvisse agora, se pudesse me responder, diria que eu faria falta ao amor tão verdadeiro que chegou. Mesmo assim eu trocaria, pois você faz falta ao universo que soube amar.

Agradeço à vida que me deu você por amigo e seu amor para iluminar meu caminho. Enquanto eu viver, você estará vivo no meu coração.

Sal
Enviado por Sal em 24/09/2005
Código do texto: T53388
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Sobre a autora
Sal
Marília - São Paulo - Brasil, 78 anos
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