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Você acredita na Justiça?

Você acredita na Justiça? Justiça dos homens ou justiça divina? Não responda ainda, quero saber sua opinião no fim do texto.

Justiça dos homens.
O termo Justiça vem do Latim "iustitia". Teoricamente justiça significa equidade ou igualdade de direitos. Todos conhecem as seguintes expressões; "todos são iguais perante a lei", "todos têm iguais garantias legais", ou ainda, "todos têm iguais direitos" e por fim "a lei é igual para todos". Sabemos no entanto que essas máximas não são aplicadas de fato, e dos países que eu conheço o Brasil é certamente o que mais menospreza o significado do termo justiça.

Na minha opinião Justiça simplesmente não existe. Justiça é apenas uma utopia, e como tal jamais será atingida pelo homem comum. É algo como a sociedade idealizada por Thomas More, ou seja um anseio inalcançável. Justiça não existe, é apenas um desejo que todos trazemos dentro de nós. Alguém pode perguntar; "Nós quem?" Eu respondo; "Nós que não podemos comprar a justiça." Mas falaremos sobre isso mais adiante.

Justiça divina.
Acredito que o ser humano projete em Deus a sua incapacidade de viver em comum acordo com o próximo e com as leis que regem seu grupo social necessitando sempre de um código de leis imposto pela autoridade local. Desde muito antes de Cristo. Quem nunca ouviu falar no Código de Hamurabi? Ou das leis dos Fenícios?

Sob o ponto de vista religioso é comum o fato de que Deus é normalmente um Deus vingativo, o qual impõe duros castigos aos que não seguem seus mandamentos. Sendo esse aspecto vingativo algo típico do comportamento humano, punir ou se vingar daqueles que pensam de maneira diferente da nossa; uma aplicação divina da lei do mais forte.

Existe um ditado popular que diz: "Deus não mata mas aleija". Quer algo mais humano e mesquinho do que isso? Decerto que se houver um Deus ele não é assim. Essa idéia de um Deus (in)justo, nada mais é do que um reflexo da completa ausência de justiça aqui na Terra e da visão humana na concepção de justiça. Ergo, se a justiça não pode ser alcançada durante a vida, decerto há se existir após a morte.

Mas porque resolvi escrever sobre Justiça? Afinal de contas, nada do que eu venha a escrever irá mudar o modo do brasileiro e do ser humano em geral lidar com essa palavra. Talvez eu tenha em mim um pouco do Thomas More. Talvez eu sonhe com um ilha onde de fato todas as pessoas serão tratadas com paridade de direitos. Vale lembrar que quando os portugueses chegaram a Pindorama, pensavam ter descoberto uma ilha, à qual deram o nome de Ilha de Vera Cruz, que bela coincidência não é mesmo? Mas essa idéia logo caiu por terra, assim como cai por terra a justiça no Brasil todos os dias nos mais diversos patamares da sociedade.

Eu poderia fazer centenas de exemplos de como lidamos com a justiça no Brasil. Ora são políticos de alto escalão que ao serem descobertos em escândalos nauseabundos, (o que acontece com assustadora freqüência no país) logo se refugiam em foros privilegiados, o que vai totalmente contra o significado do termo justiça, onde todos deveriam ser tratados igualmente. Ora são aspirantes juristas que usam de meios escusos para entrar na OAB como é também freqüentemente noticiado no Brasil.

Vejam a gravidade da situação na qual nos encontramos. Um futuro advogado ou juiz ou promotor inicia sua jornada no mundo da jurisprudência burlando a lei. Como pode uma pessoa que teoricamente deveria assegurar a aplicação imparcial da lei, comportar-se como um marginal antes mesmo de dar início à sua carreira? E se essa pessoa não for descoberta, em breve será um juiz, um advogado, um promotor, um procurador, um desembargador ou até mesmo um ministro decidindo pelo povo o que é certo ou errado.

Mesmo que nem todos os juristas sejam corruptos, um país onde os fundamentos da justiça se embasam na falcatrua e encobre os falsários não pode nunca progredir. Mas há quem acredite no futuro do país, assim como há quem acredite na justiça.

Lembram-se do caso do senador que foi absolvido por ter apenas comprado 1000 votos? Essa é a justiça no Brasil. A lei é totalmente flexível e desrespeita seus próprios fundamentos em prol de um corporativismo hediondo ao qual somos submetidos todos os dias sem que ninguém tome alguma providência. Ou lembram-se do juiz Lalau? Sabem onde ele se encontra? Em sua mansão no Morumbi, mansão essa que foi comprada com dinheiro desviado de obras públicas. O excelentíssimo juiz já foi condenado à prisão em diversas ocasiões, mas os seus Advogados pagos com dinheiro sujo, conseguem habeas-corpus que garantem sua permanência em casa.

A minha pergunta é simples. Todos são iguais perante à lei? As evidências mostram exatamente o oposto. Mas e esses advogados porque tanto defendem um homem que desviou milhões de reais que poderiam ter sido aplicados em prol da população carente? Será que acham que fazem um bem à sociedade? Será que eles sabem o significado da palavra Justiça? Será que eles não tem nenhum comprometimento com a verdade? Ah, esqueci. Esses são aqueles que entraram através de exames falsificados, ou seja. Desde o início tinham em mente apenas perpetuar a injustiça no país do carnaval e pizza.

Recentemente saiu nos meios de comunicação o caso do estudante de direito que juntamente a outros amigos espancou uma empregada doméstica por achar que ela fosse uma prostituta, como se isso justificasse esse ato covarde e primitivo. Sabem o que irá acontecer com ele? Uma pessoa que se diz advogado irá mentir e criar uma desculpa esfarrapada qualquer para livrar o seu pupilo, e esse em breve se formará e será mais um advogado sem escrúpulos manipulando a lei em prol dos que podem pagar por ela. Todos sabemos que o símbolo da justiça é uma mulher com os olhos vendados, que significam a paridade de direitos a todos. Entretanto no Brasil ela tem os olhos vendados de vergonha diante de tanta impunidade e de tanto "mau caratismo".

Mas os juristas não estão sós nessa luta contra a justiça, pois o descomprometimento com a lei é inerente a praticamente todos os brasileiros, desde o seu vizinho, ao síndico do seu prédio, ao seu amigo de trabalho ao pai da sua namorada. Todos em alguma ou mais ocasiões já burlaram a lei e infelizmente ainda acham que foram "espertos" ao fazerem isso.

Agora eu lhe repito a pergunta que fiz no início do texto;
Você acredita na Justiça?

PS: Estudei dois anos de Direito na Universidade de St.Gallen, mas diante dos casos de juristas envolvidos em escândalos, e da minha incompatibilidade com essa situação, preferi parar antes que fosse tarde demais. Nem todos os juristas são corruptos, mas o sistema não permite que esses trabalhem em prol da justiça.
Ullisses Salles
Enviado por Ullisses Salles em 25/06/2007
Reeditado em 25/06/2007
Código do texto: T540528

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Sobre o autor
Ullisses Salles
Suíça, 38 anos
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