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30 anos de solidão

Tudo na vida são trocas, sejam trocas de interesses, de favores, de idéias, de prazer, de necessidades, de roupas, de carinhos e de amor, estamos sempre trocando algo com alguém e nem se quer percebemos.
É como se nossas almas dialogassem entre si sem palavras, tentando se completar com o que elas não têm, é como se nossas almas olhassem uma para as outras e identificassem detalhes que nos fogem a percepção, é como se nossas almas já soubessem o que precisamos para ser quem somos, se eu te dou atenção, você me dá carinho, se eu te dou a mão, você me dá o seu ombro, assim as coisas ficam no seu lugar, equilibram-se,assim caminha a humanidade.
Numa viagem pela imaginação encontramos uma mulher, uma mulher como outra  qualquer no planeta, mas que estava descobrindo o verdadeiro significado da vida.
Essa mulher tinha o seu lugar ao sol e a lua também, de dia trabalhava e de noite não sonhava mais, havia conquistado seus sonhos, mas era solitária, talvez ela fosse a mulher mais solitária do mundo.
Pretendentes nunca lhe faltaram, seus cabelos negros e seus olhos castanhos somados ao seu charme suave sempre fascinavam os homens que a conheciam e mesmo aqueles que a viam apenas uma vez, freqüentemente recebia propostas para sair, para namorar, mas nunca as aceitava, os homens para ela eram todos iguais, egoístas, que só pesavam no seu próprio prazer.
Um dia ela amou um homem mais do que a si mesma e esse foi seu único e derradeiro amor, deu a ele tudo que tinha, mas recebeu quase nada em troca, as feridas provocadas por esse amor sempre a lembravam o quanto amor machuca.
Assim decidiu que não amaria nunca mais, o amor não significava mais nada para ela, e continuou a viver a sua vida sem amar, embora fosse desejada por outros homens, mas não amada, porque só se ama alguém quando se entrega, se doa, se reparte.
Olhando-se no espelho se sentiu feliz com o que via, era uma mulher bonita e gostava de sua aparência, mas olhando a sua volta se viu sozinha, sentiu um medo grande,um arrepio atravessou todo seu corpo, era o frio da solidão, sentiu a necessidade de abraçar e ser abraçada sentiu a vontade de ter alguém ali do seu lado,mas não podia, o amor tinha tirado dela tantas coisas, o amor machuca, os homens são todos iguais.
Tentou se distrair com outras coisas começou a arrumar suas roupas, a organizar suas gavetas, sentou-se para ler um livro, mas nada adiantava, a solidão  estava ali com ela lhe fazendo companhia, fazendo ela ver o quanto era sozinha e por mais que ela tentasse esconder isso de si mesma não seria capaz de enganar a sua alma que precisava de alguém ao seu lado.
Começou a chorar e trinta lágrimas rolaram pelo seu rosto, uma para cada ano de solidão de sua vida, foram 30 anos de solidão que poderiam se transformar em 40, 50 ou 100 anos de solidão.
Andre Luis Aquino
Enviado por Andre Luis Aquino em 03/03/2005
Código do texto: T5588
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Sobre o autor
Andre Luis Aquino
Taguatinga - Distrito Federal - Brasil, 42 anos
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Andre Luis Aquino