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Vivendo todo dia, renovando objetivos...


Gabriel, André, Karina, meus filhos.

Mas Gabriel são 5 horas da manhã? Não tem jeito, quem dorme cedo, acorda na frente. Há seis anos tento me acostumar com a idéia de ser acordado pelo mais novo. Essa é a sua forma de transferir um bom dia, coisas que instantaneamente passam do incomodo a felicidade. Esse é o cara do 21, irrequieto, mas muito criativo, nunca segue o mesmo método para articular situações aparentemente iguais, sempre acrescentando algo para justificar a sua presença. E como pai me surpreendo ao entender que um mesmo botão pode ter diferentes significados de uso.

Preciso assimilar parte desta energia renovadora disponível nas articulações do filho. Tenho que ser como um aluno para enriquecer o tempo completando-o com o novo. Abro minha mente, disponibilizando aqueles comportamentos óbvios e rotineiros para que o novo possa ser completado com evolução e objetividade. Sempre temos que escutar, principalmente aqueles cujo mundo apresentam formulações distantes das nossas, pois linguagens são renováveis, mas só para quem se dispuser a aprender na tentativa de se aproximar, agradar e surpreender.

Às vezes, ao meio dia, almoço com André (o do meio com dezenove anos) que regressando da faculdade, começa a querer trocar idéias sobre suas buscas, sobre o futuro, que agora ampliam as preocupações da tribo. Aos poucos as baladas vão sendo substituídas, o “ficar” vai sendo acumulado para o namorar. Os amigos começam a ter um sentido mais de parceiros.  Estou aprendendo com essa fase do André, que agora passa a ser um critico até do meu trabalho, mas que também solicita informações para completar a sua forma de estabelecer coerência com o que quer da vida. Surpreendente, hoje ele está mais para um amigo, longe das velhas relações dos que mandam e dos que cumprem.

Falar com Karina, tá ficando cada vez mais difícil. A hoje executiva, quase não tem tempo para si própria. Essa é a parte difícil da vida, estabelecer um equilíbrio entre a responsabilidade e a qualidade indispensável para poder suportar a competitividade interna e externa das organizações. Aos vinte e pouco anos, o profissional de ponta, tem de estar conectado com tudo, clientes e processos, pois sua responsabilidade tem uma relação intima com as variáveis que podem afetar os relacionamentos. Mas ainda fico feliz em sentir que mesmo lidando com uma profissional, sempre se encontra um tempo para relembrar as épocas dos sonhos chorados por não estarem ainda entendidos.

E assim a vida vai acontecendo, pela procura de justificativas as nossas buscas no dia a dia, dando sentido, competência, vontade e persistência nas causas que mergulhamos.

E o dia vai terminando, ganhamos, perdemos alguns pontos. Quem sabe um bom sono poderá contribuir para assimilar melhoras ao dia seguinte. O que não deu certo hoje deverá ser alvo de renovação amanhã através de um plano de convencimento que procure reverter,  aproximando em motivos para a decisão dos outros. Talvez um pouco do que precisamos seja prestar mais atenção a pequenas formas que a vida nos oferece frente as grandes causas.
Sérgio Dal Sasso
Enviado por Sérgio Dal Sasso em 02/10/2005
Código do texto: T55891
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Sobre o autor
Sérgio Dal Sasso
São Paulo - São Paulo - Brasil, 56 anos
30 textos (2809 leituras)
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Sérgio Dal Sasso