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COMBINAÇÃO NUMÉRICA

Havia notado a peculiaridade da data de sete do sete do ano sete, ao organizar um calendário de trabalhos logo no início do ano. Mas esqueci rápido porque,  afinal, neste século XXI,  já passamos por  combinações numéricas semelhantes nos uns, dois, três, quatros, cincos e.....horror dos horrores, nos seis do tão temido “meia, meia, meia”, conhecido como o “número da besta”. Espécie de aposto que – bestas como eu – repetem toda vez que encontram esta combinação de seis.

Pois bem, não sendo ligada ao mundo místico , eis que, no tal dia sete, recebo um e-mail referente a portais. Dizia que, com esta combinação numérica, abria-se naquela data um novo portal, seja lá o que isso significasse. E, com justificativas diversas, convidava-me a seguir um ritual que me levaria a bons caminhos.

Mesmo incrédula, pensei que, dada a situação sem graça que se encontra minha vida, não custava nada seguir os passos sugeridos. Coloquei-me numa posição confortável (foi esta a primeira orientação)  liguei o som  que misturava água  corrente a  pássaros e flautas  ( aquele tipo de música que toca na lojinhas escuras que vendem duendes e pedras ).Com nuvens suaves em um céu azul servindo de fundo , começa a correr na tela uma espécie de oração  com várias letras trocadas por pontos de exclamação e interrogação. Não me sinto lendo, mas decifrando. Porém, não perco a paciência e interpreto o erro como uma senha necessária para responder ao chamado cósmico daquele momento.

 Em determinado momento, o céu azul do fundo de tela muda de cor. Fica meio roxo . Descubro  que a  mudança se deu pela invocação do “fogo violeta” (não sabia que fogo tinha cartela de cores). Pedem-me para não ter pressa e continuo a  leitura .

O ritual solicita muito de minha imaginação e ao ler “que bom este cheiro de incenso”, tento, com muito boa vontade, sentir um perfuminho qualquer. Não consigo. O máximo que percebo é o amaciante na minha blusa de lã. Mas venço esta etapa , chego  a outro  link e clico para continuar.

Um  azulão domina a tela. Faço minha tarefa , chego ao fim desta seção e descubro que, junto com meus irmãos cósmicos e mesmo não sendo tão velha, fui inscrita no livro dos anciãos. Não há explicações do que isso quer dizer.

 Mas feita a inscrição, devo me imaginar entrando num templo. Toca o telefone. Minha entrada mística precisa esperar. Era um convite pra jogar conversa fora e beber. Aceito, combino, mas volto rapidinho  ao computador....Não posso continuar.Neste momento o  ritual informatizado me pede a instalação de um “plugin” que não me propus a fazer. Desisto ali, bem na hora de entrar no templo. Fico pensando nas possibilidades de má sorte que isto poderia me trazer,  mas resolvo é mesmo sair. Não é sempre que vou a bares da moda.

Esta crônica poderia terminar aqui. Mas acontece que,  no tal bar, acompanhada de uma grande amiga, conhecemos um cara de preto meio misterioso. Sentou-se à nossa mesa e conversou longamente sobre cavaleiros medievais. Algo místico estava no ar . Seria o efeito do ritual inacabado ou algumas cervejas a mais? A segunda hipótese pareceu  a mais provável. Porém , ao chegar a conta e após conferi-la detalhadamente eis que o valor  nos surpreende. Estava ali, no dia sete do sete, nossa conta tinha dado exatos 77 reais. Algo ficou no ar.
Maria Alice Zocchio
Enviado por Maria Alice Zocchio em 10/07/2007
Código do texto: T559802
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Maria Alice Zocchio
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Maria Alice Zocchio



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