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ACONTECEU NO BAZAR



Aconteceu no Bazar

 CENÁRIO – A manhã de sábado estava acordando, coberta por uma chuvinha fina e persistente, daquela que molha até a alma da gente.
A Av. N.S. de Copacabana, o nosso cenário. Horário: 10:30 hs, marcando no relógio promocional situado na esquina da rua Souza Lima.
O asfalto totalmente tomado pelos carros e o engarrafamento já se estendia até ao Posto 2. O calor de 35o e a chuvinha fina provocava elevado grau de umidade. Os motoristas irrequietos e totalmente parados no trânsito, vociferavam com todos e principalmente com os poucos guardas existentes ao longo da avenida. Gozado não é? É sempre assim. Quando pinta dificuldade eles desaparecem...
Se a situação no trânsito era ruim, nas calçadas, os guarda-chuvas disputavam quais floretes, um lugar ¨ não ao sol ¨, mas debaixo das marquises. Para agravar mais o cenário, vamos citar os camelôs com seus tabuleiros de frutas, importados, de um tudo... E a chuvinha danada continuava castigar. Os transeuntes se chocavam com os camelôs e entre si e surgiam os empurrões e xingamentos. Uma loucura total. Nem a 5th Ave é tão louca assim.
O BAZAR – A realização do Bazar de Pechinchas é uma atividade dos clubes  de serviços. A sua finalidade é, com o material doado pela comunidade, ajudar crianças desamparadas. Cada bairro da cidade possui o seu clube de serviços.
A loja cedida pelo INSS pelo período de trinta dias, (prédios em disponibilidade), a mão de obra por voluntários e pelas Domadoras (nome dado às esposas dos Leões, sócios dos Lions Clubes). E o material vinha através da comunidade por solicitação feita em cartazes chamativos, estrategicamente colocadas. * Sr. Morador! Já reparou como o seu apartamento está abarrotado? Se o material não é usado por mais de um ano, é supérfluo e está ocupando espaço na sua residência. Esvazie doando para auxiliar crianças necessitadas! Não podem imaginar a quantidade de material que chegava. Em uma semana, o bazar já se encontrava praticamente lotado. Havia especialistas também voluntários em todas as áreas. O artigo chegava era examinado, classificado e seguia para a sua seção. Materiais com grande valor eram às vezes detectados, como livros raros, cadeiras estilo Luiz XV, peças ornamentais, lustres, selos ...
O FATO – Hei!  Oh Meu!  Tira esta coisa daí !!! – Vou te escrever!  Gritava o guarda.
A coisa a que se referia era o pequeno caminhão que trazia os donativos para o bazar.
- Seu Guarda!!! – É material para o bazar!!!
- Tá bem!!! – Mas anda depressa... O guarda
Na loja, as jovens senhoras, todas ajudavam, ora limpando, ora selecionando objetos recebidos, ora vendendo. E as doações continuavam a chegar. Quadros, livros, móveis, sapatos, eletrodomésticos, roupas e até roupa íntima que ia direto para a máquina de lavar.  O entre e sai e o exame da mercadoria era intenso. Examinavam mais do que compravam mas no fim do dia a receita era boa. Havia um cuidado especial com os larápios que sempre estavam presentes, principalmente mulheres...
Lá fora, a chuvinha enjoada continuava a cair enlameando a loja e molhando os sapatos. A presença de um senhor de cabelos grisalhos na entrada do bazar, chamou a atenção. Trajava um terno limpo mas surrado, gravata desalinhada, sapatos sem brilho, aquela figura comum das filas de pagamento do INSS. Olhava! E olhava de novo! Tomou coragem e entrou...
-         Moça! Aquela boneca ali está à venda? – É muito cara?
Ele se referia a uma boneca encantadora de porcelana japonesa que se encontrava na vitrine.
-         Custa R$ 30,00. Respondeu a atendente. – Mas tem um pequeno defeito na perninha. 
A boneca  esboçou um sorriso  como  a dizer:
-   Moço!  - Me leva com você!  Fato este tão comum nas casas de crianças desamparadas.
-   Não tenho aqui todo o dinheiro! A Senhora não me daria um   desconto? – A boneca    é para a minha netinha que faz anos hoje.
A Domadora pensou... - A renda do bazar se destina as crianças. Que mal fazer o desconto se a boneca se destina também a uma criança?
-         Senhor! Pode levar a boneca pelo dinheiro que tem...
E lá foi ele todo feliz com a boneca para a sua netinha e a boneca, mais feliz ainda pôr ter recebido um lar...
 2a FEIRA PELA MANHÃ – Copacabana era um outro dia. O sol já brilhava àquela hora da manhã. O trânsito tranqüilo e as pessoas com fisionomias cordiais. Movimento lento mais pela preguiça de uma comunidade ainda semi-acordada. No bazar tudo bem, até que...
-         Olhem quem vem lá! – Que teria acontecido? – Será que a menina não gostou da boneca por causa  da perninha quebrada? – Mas ele está sem o embrulho... – Que teria acontecido?
-         Bom dia, meu Senhor! O que houve? – A sua netinha não gostou da boneca?             Falou a atendente.
-    Bom dia, Senhora! – Ao contrário, adorou muito e não a larga por um só instante!
-         Mas não estou entendendo! O que o traz aqui?
-        Esta noite eu não consegui dormir com a consciência intranqüila. Minha netinha feliz com o presente e eu poderia ter voltado para pagar o restante do dinheiro...
-         Pôr favor! Aceite para que eu possa ficar feliz totalmente...
-         Aqui está o restante do dinheiro para as criancinhas desamparadas.
Foi muito difícil conter as lágrimas...  
E alguém disse:
- Nem tudo neste mundo está perdido...
 Ainda há amor no coração  das pessoas.





                                                                         


 
Tino
Enviado por Tino em 04/10/2005
Código do texto: T56559
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Sobre o autor
Tino
Fortaleza - Ceará - Brasil, 89 anos
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