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Fortalecidos conceitos. Causa? A dor!

Ontem perdi uma amiga, uma grande amiga...

   Pode parecer egoísmo, mas isto me fez pensar em minha vida, em tudo pelo que já passei e rever todos os meus conceitos. Meus valores continuam os mesmos, o que mudou de certa forma foi a intensidade com que sinto a vida, a maneira como deixo o ar entrar pelo nariz. Tenho minhas revoltas e complexos como todo mundo, mas, no fundo no fundo tenho uma coisa que a maioria não tem, ou finge não ter, o amor a tudo o que respira, o respeito à vida, à terra e a tudo o que vive sobre ela.

   Não gosto de falar e muito menos de escrever sobre meus sentimentos. Talvez o que me tenha impulsionado a sentar diante desta tela e por minhas mãos sobre o teclado tenha um pouco a ver com o fato de a lua estar entrando em sagitário. Para falar a verdade, ela acaba de entrar e já posso sentir sua influência, ou será só impressão? E falando em impressão acho que este é um momento de sintonia com minhas impressões, um momento em que posso enxergar mais longe do que o habitual, já que este é um momento de extroversão e franqueza e eu já nem sei se devo responsabilizar a posição da lua em sagitário por este estado de espírito mais filosófico e voltado para o incomum.

   Quando achamos que conhecemos tudo, surge um novo universo, com novos fatos, novas aventuras, novas situações, boas, más, e muitas vezes indiferentes... Fatos novos importantes normalmente geram desdobramentos duradouros, que podem ser perdidos se nos fecharmos prematuramente ao que está nos convidando a algo novo. Cada um de nós carrega dentro de si uma criança, uns mais, outros menos, mas, todos sem exceção a temos guardada lá dentro. E essa criança é dona do nosso instinto de aventura. Toda criança é ávida por descortinar universos. Cada lugar novo se transforma em um palco de grandes aventuras imaginárias. O importante, aqui, é que nosso lado criança supõe que há muitas coisas boas ocultas, e ela deseja descobri-las. E, de fato, as encontra. Nosso lado adulto, por sua vez, é mais atento ao que de negativo que esta criança pode encontrar, como qualquer objeto com o qual ela possa vir a se machucar. A visão do adulto não está incorreta. Entretanto, ela não pode ofuscar o entusiasmo infantil da descoberta de um novo universo. Há perigos, mas também há coisas novas. Qualquer universo com o qual não se tenha tido contato anterior tem de ser encarado como novo. Entretanto, o adulto dentro de nós tende a tratar todos os universos como iguais. Faz isto porque se sente muito inseguro. Está mais preocupado em 'acertar' do que em viver tudo o que aquele universo pode lhe oferecer.

   É necessário despertar o instinto de explorar, descobrir algo como é e como não é. Isso tem que estar em jogo em todos os nossos momentos, quando conhecemos alguém novo, quando perdemos alguém que amamos, quando começamos um novo trabalho, quando estamos diante de um novo desafio, etc. Cada "cenário" novo possibilita que exercitemos uma parte diferente de nós mesmos. É preciso "zerar" comportamentos e expectativas ligadas a fatos e acontecimentos (fracassados ou não) no passado para poder começar algo novo. A vida muitas vezes se repete, mas, não exatamente da mesma forma, sempre vai haver alguma coisa diferente em uma situação que aparentemente está se repetindo. Aprendemos com os erros, tiramos lições importantes principalmente de momentos de sofrimento e isso nos faz mais maduros, nos faz melhor. Nunca mais seremos os mesmos a partir disso.
Quando chegamos a novos horizontes, precisamos de um olhar de entusiasmo e deslumbramento. E por quê? Porque é o deslumbramento que revela aquele cenário como um cenário inédito. Se conhecemos alguém, por exemplo, e achamos que se parece com outra pessoa, ou se já estamos predispostos a reagir da mesma forma como reagimos com alguém do passado (ou, pior, agindo como se a pessoa em questão já tivesse cometido os mesmos erros que a anterior), podemos 'matar' todas as possibilidades ocultas daquele encontro. E isto é apenas um mero exemplo. Algumas vezes, conseguimos evitar isto, quando finalmente algo nos desperta, nos chama atenção, e percebemos que estamos diante de algo novo a ser explorado. Mas não temos conhecimento das vezes em que perdemos a possibilidade de conhecer e explorar alguma coisa porque tivemos olhos e atitudes cansados.

   Pode parecer estranho falar de entusiasmo num momento de dor causado pela perda de alguém querido, mas, como disse a princípio, os meus conceitos estão mais firmes do que nunca, é necessário descobrir... Descobrir a vida, descobrir os sonhos. E a falta de entusiasmo embota a capacidade de descobrir, e até mesmo "redescobrir" (quantas vezes forem necessárias) alguma coisa que já se conhece. Há sempre mais para ver, experimentar, aprender, saber. E se no caminho de todo esse aprendizado e descobertas aparecem nuvens negras que nos fazem desacreditar da vida por alguns instantes é essencial reativar a crença de que há sempre mais na nossa frente, crença esta inabalável de que nunca sabemos tudo ou vivenciamos tudo. No próximo minuto pode acontecer algo que nunca imaginamos que fosse acontecer. Por isso é necessário estar aberto. Pronto para agir de uma maneira nova com novas situações. Tomemos muito cuidado com o hábito de achar que já vivemos tudo e que a essência da vida é somente se prevenir de erros passados. Devemos nos prevenir, sim, mas, não ao mesmo tempo nos fecharmos para o que nunca encontramos - e nunca vivemos.

   Hoje enterrei uma amiga, uma grande amiga... E estou mais forte do que nunca!

                             Recife, 9 de janeiro de 2002
TCarolina
Enviado por TCarolina em 05/10/2005
Código do texto: T57038
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Sobre a autora
TCarolina
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 41 anos
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