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Sobre a mendicância em Niterói

A nossa história está cheia de processos segregacionistas e a toda a formação das cidades está incluída nesses processos. Não podemos manter um bairro como Icaraí em uma cidade sem que outros bairros sejam mais podres e descriminados.

É o próprio sustento da base dessa sociedade que nos mostra claramente essa desigualdade quando vemos cenas como pessoas “asociais” pelas ruas, vivendo, comendo, fazendo sexo, cheirando cola.

Só porque nós temos uma casa para dormir, uma boate para tomar drogas e beber e dinheiro para comer em casa, ou em restaurantes, não nos deixa diferentes dessas pessoas que estão praticando ao ritmo mesmo de vida que o nosso.

Como impor a duas pessoas que vivam em ritmos diferentes na mesma sociedade?

Se alguém não “quer” trabalhar é porque nossa sociedade a fez ficar assim e não por ele ser um germe no meio de tanta boniteza de mármore e pedra portuguesa. Vai ver as calçadas do Fonseca, por exemplo. Icaraí é o bairro de front de Niterói e por isso é o mais cuidado, e mesmo quando aparecem indigentes as pessoas se enfurecem.

Desculpe-me, mas isso mostra que Niterói está crescendo e se desenvolvendo rumo a futuramente ser uma grande metrópole, conjuntamente com todo o Grande Rio. E isso trás essas conseqüências. Tirar pessoas da rua? Ahuauhahuahuau Risível.

Seria melhor criar uma empresa de coleta de indigentes que de 2 em 2 meses passaria levando todos para outro local.

Criar abrigos e demais estruturas não sana o problema que é a cidade em si como esta organizada. Enquanto uns moram privilegiadamente, e acham que todos tem a “oportunidade” de um dia alcançarem tal “status”, outros moram em lugares desprezíveis, visível e estruturalmente falando. E porque não eles virem residir aqui em nosso querido simulacro de conforto? Seja mesmo na rua, fazendo o que todos nós fazemos, mas sem as 4 paredes para esconder dos outros o que se faz?

Se alguém viu Dogville está dada a analogia perfeita da hipocrisia. Uma cidade que sabemos o que todos fazemos, mas fingimos não nos importar por temos paredes nos separando. Quando alguém o faz na vista é desprezível e asqueroso.

Essa é a realidade que vivemos e não tem como mudar isso de uma hora para outra. Temos sim que fazer o máximo para acabar com essas diferenças. Criar abrigos e demais estruturas é exatamente o tipo de “esmola” que o governo daria a pessoas que não vão nunca ascender até o ponto que estamos.

Acho que é por isso que eles não querem trabalhar. Pois se pensarmos ele vai trabalhar num emprego de terceira categoria para sobreviver, ter seus míseros prazeres parcos e vai perder a vida inteira assim. Coisa que ele pode fazer pedindo esmola, tomando conta de carros, e com isso se sentindo muito mais livre desse encargo.

Poderíamos propor um projeto de reestruturação de infra-estrutura municipal onde todos os bairros receberiam incentivos e recursos e igual atenção da prefeitura para tornar o crescimento uniforme. Incentivar a especulação em bairros “nobres” é idiotice governamental. Poderíamos propor toda uma reestruturação das escolas publicas que dariam a todos os habitantes de Niterói condições de igual qualidade e integrando pobres, médios e ricos em um ensino de verdade e não essa tosqueira que chamam de ensino nas escolas particulares. As publicas eu nem comento.

Poderíamos propor toda uma reavaliação dos lobes que existem em Niterói, pois se eu ando cerca de cem quilômetros de ônibus no Rio e pago 1,80 porque eu deveria pagar 1,60 para andar 20 quilômetros no máximo aqui nessas linhas parcas e pouco confiáveis de Niterói?

Estamos crescendo como cidade e com isso crescendo nossas ideologias para as de grandes limpezas bairrísticas. Se não for para brigar por uma reestruturação total da cidade acho melhor criar a Limpeza Social para de 2 em 2 meses passar com um caminhão raspar todos os indigentes e lançá-los longe de nossas vistas, pelo menos assim ficaríamos achando que Icaraí (e consequentemente Niterói) é uma cidade com grande qualidade de vida!
leandroDiniz
Enviado por leandroDiniz em 07/10/2005
Código do texto: T57512
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Sobre o autor
leandroDiniz
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 34 anos
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leandroDiniz