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Violeta

O ar é sólido e a areia é líquida. Isso é fato. Hoje vi passar pela fechadura da minha árvore um grupo de vacas migrando para o Oeste. Uma delas pousou na pista de corrida das lesmas e perguntou que horas eram. A vela respondeu que o teto estava caindo, e a agulha correu para debaixo do bispo.

Ipês escorregavam nos livros e o chiuaua piou como um louco. Botou um ovo que, duas unhas depois, virou um dicionário. O dicionário ficou zangado com a parede, e divorciou-se, indo morar com o garfo, mas o garfo era digital e resolveu mergulhar na piscina de grama.

Hoje o dia não está pra seriedades, pois minha mãe disse que a meia se casou com a cobra do quintal e resolveu fazer greve de fome. Tia Carochinha não quer mais saber de mim, dizendo que sou velha e tenho mais é que ir dormir. Meu pai está zangado, pois hoje no trabalho, o Dodô azul resolveu fazer aeróbica dentro da lixeira de dinheiro. Minha irmã tem mania de liquidificador, e passa o dia todo deitada no teto, discutindo com o pato. Minha família é magma celeste, e hoje o dia não está pra seriedades.

O gato resolveu ter uma fórmula de Báskhara, e ficou muito feliz quando encontrou na sua nadadeira um elefante cor-de-rosa. Estava chateado por só ter escargot para plantar, e pediu à estátua um pouco de lucidez. Ela disse que só tinha ratos, e que estavam bastante enevoados. O gato virou um taco de golfe de tanta felicidade, e decidiu jogar cartas com a rainha.

A rainha era de copas e comprou um berimbau, pois a poltrona de casa se chamava Menelau.
O buraco gritou que a corda caía, mas aí já era tarde, pois lá se ia a rainha: formiga, cadeira e arte!

O cifrão se aposentou, dizendo que tinha dor de dente, e a padaria se rachou, alegando um caneco deficiente. A feira foi às compras, e resolveu pagar as contas: pegou seus diferentes e comprou um pirulito carente.

Vovô está reclamando, pois não colocamos sorvete no túmulo hoje. O último a chegar foram as sandálias, que alegaram legítima defesa. A borracha foi pro xadrez e o cavalo resolveu virar cera. A cera evaporou com o tempo, deixando apenas dois centos de laranja. A laranja foi informatizada, e agora tentamos fazer com que ela não brigue com as pilhas da pedra.

O náilon pulou a cerca e foi parar no trigal que dá canetas, e disse que lá era muito quente pois os pingüins comeram toda a cenoura. Enviou um cartão postal via chave de fenda e a vaca comeu o prego, que estava uma delícia.

O chocolate reivindicou seu direito de filosofar, e o tênis do meu primo deu socos nos tornozelos da cobra. A cobra ficou banguela e agora leciona Preguiça na Universidade do Papelão. Boavinda nos expulsou da rua dizendo que o botão não estava escondido atrás da música. Esdrúxulo é flor que dá nas nuvens e algodão é fruta que se enxuga. Hoje mesmo plantei dois pés de conchas e nasceu-me na orelha cinco lápis sem ponta.

A prosa está fazendo natação e a poesia no clube de pôquer, enquanto o Tubo de ensaio dança com a sacola dentro do vulcão.

O óculos está construindo sóis no centro do mar, e disse que só vai terminar quando eu resolver acabar de cortar as tesouras dos meus pés. Os advérbios não gostaram nada disso e resolveram suicidar o Milêniomês, que estava grávida de dois panettones italianos feitos na Coréia. O besouro assumiu a maternidade e pariu os gêmeos nos dias quarenta e cinqüenta do mês treze.

Minha mãe já está com pés de catedral, dizendo que tenho que parar de lamber as letras pra ela poder liquidificar a água. Agora já estou parando, pois tenho que continuar sabendo que isso não vai agradar.

Tia Carochinha me manda uma vespa de presente, dizendo que devo costurar sete leopardos para ela até ontem.

Então digo “teamoadoro” e sempre esqueço o que decoro!
Ipê Araújo
Enviado por Ipê Araújo em 09/10/2005
Código do texto: T58191
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Sobre a autora
Ipê Araújo
Recife - Pernambuco - Brasil
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Ipê Araújo