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DESLUMBRADA OU BLASÈ? VOCÊ DECIDE.

     Meninos e meninas, senhores e senhoras: fiz uma descoberta terrificante que, pelo menos para mim, merecia um Nobel sei lá do quê. Sou uma tremenda deslumbrada, desclassificada e sem um pingo de “crasse”. Acho chiquérrrrrrimo estas moças finas que conseguem ser absolutamente classudas o tempo todo, ou pra usar um terminho mais muderrrrrno, “blasè”. É, sabe aquela coisa de sorrir um sorriso moderado e chique, com aquele ar meio assim “meu mundo é outro”? Então, isso. 
     Eu sou o supra-sumo do desbunde e do deslumbramento. Se acho graça, saio escancarando a gargalhada de uma tal maneira que se houver cemitério por perto, ressuscito todo mundo mesmo sem nem ser parenta de Jesus Cristo. 
     Se consigo comprar aquele vestido arrasa-quarteirão que venho namorando há milênios mas que vai me custar inúmeras prestações e várias noites de insônia, não sossego o pito enquanto não sair desfilando o dito cujo e de preferência, ser muito bem enxergadinha dentro dele.      
     Não tenho aquele ar de Audrey Hepburn. Chiquérrima, classuda, blasè...Palavrinha chique essa. Agora que aprendi, a pobretada toda vai ter que me agüentar. 
     Se ganho um presente que é tudo de bom, fico que nem criança abrindo presente de Natal sonhado e pedido por mil cartas a Papai Noel. Mais feliz que fã do George Clooney que ganha uma noite de estrela na companhia do dito cujo. E diga-se de passagem que eu sou uma fã de carteirinha daquele espécime divino. 
     Então, crianças, o resumo da coisa é esse: sou uma deslumbrada com tudo que é bom, lindo, gostoso etecetera e tal. 
     E a minha teoria é a seguinte: se diante das coisas boas e maravilhosas você é um sujeito que fica lá todo “blasè” com aquela cara de “it happens to me all the time” você só pode pertencer a dois times. O primeiro e mais comum: você é um chato de galocha e capa de chuva que nunca está feliz com nada ou então, sortudo, realmente você tem tudo que é bom o tempo todo e portanto nada mais te deslumbra. De qualquer jeito, um chato. Porque quando a gente deixa de se deslumbrar é porque ou morreu ou é chato no duro. 
     Acho que vou esquecer esta dor de corno e continuar deslumbradinha mesmo.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 11/10/2005
Código do texto: T58813

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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