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OPERAÇÃO LUCRATIVA

   
Operação Lucrativa

 Céu de brigadeiro! Cheiro de Mar! Brisa soprando suave a acariciar a face e a esvoaçar o cabelo... Sensação agradável. Cheiro de sol! Barulho de mar! Visão deslumbrante! Estamos em Ipanema, no território livre de Ipanema, terra do MPB, de Jobim, de Vinício , de João Gilberto e tantos outros, terra da Garota de Ipanema.
No cruzamento da Rua Prudente de Moraes com a rua que leva hoje o nome do poeta Vinício de Moraes, o bar que imortalizou o bairro...
 "Olha que coisa mais linda mais cheia de graça... "
Na mesma região, a Praça Gen. Osório, famoso ponto turístico da Cidade. Aos domingos, acontece a Feira de Artesanatos. Trabalhos em madeira, pedra sabão, couro, metais, móveis rústicos, pintura em telas, madeira, vidro, tecidos... No canto da praça, a barraca da baiana, com comidas típicas de sabor já carioca.
Ao atentar para os idiomas nas negociações, ouvimos o inglês, o francês, o espanhol e até o coreano. Dificilmente, o português. Coisas do primeiro mundo.
Porque Ipanema? Gosto de narrar o fato e os cenários aonde eles acontecem.
A nossa estória diz respeito a um episódio ocorrido num dos bairros mais charmosos do Rio de Janeiro, bairro que se estende da Praia do Arpoador ao Jardim de Alá, através de três vias principais. A Rua Prudente de Moraes, Rua Visconde de Pirajá e Av. Vieira Souto, a Praia de Ipanema, uma das mais badaladas e internacionalmente  famosas.
Paralela a estas três vias, junto ao morro, a Rua Barão da Torre e próxima a Praça Gen Osório, a favela, com sua escadaria suja, mictório popular e ponto de despejo do lixo. Lá do alto a vista é linda... Muito bonita! Alcança toda a orla que vai da Ponta do Arpoador até ao Recreio dos Bandeirantes, com a Pedra da Gávea em destaque. Um cartão postal. Em dias da chuva forte, o lixo da escadaria desce direto para os bueiros entupidos e as inundações são freqüentes. Os barracos só se seguram porque se encontram pendurados no céu. Esgotos a céu aberto e tudo o mais igual a qualquer favela da Cidade. Poucos os morros do Rio que não possuem favelas.
Voltando ao tema das palestras em véspera de eleições.
-  O que fazer? – Urbanizar o morro ou transferir os favelados  para casas dignas nas zonas norte e oeste da grande City ?
Não cabe aqui tal tipo de discussão.
Vamos a figura central da nossa estória.
Ficha cadastral: Nome: Palmira de Souza. Idade: 60 anos. Profissão: Funcionária Pública aposentada. Residência: Rua Barão da Torre No ---apto 402. Tratava-se de uma senhora culta, inteligente, de fino trato que, como tantas outras, não viram a "banda passar", i. é,  não viram o tempo passar e a cidade se brutalizar.
Sábado pela manhã, resolveu ir ás compras.  Se embelezou toda, colocou um lindo vestido, perfume preferido e discreto e as jóias, autênticas peças em ouro e gemas preciosas, presentes do falecido marido e ex. admiradores. Era por assim dizer, um verdadeiro tesouro ambulante. E lá saiu a  D. Palmira, toda bela, como nos velhos tempos.
Não caminhou cem metros. Foi jogada de contra ao muro num ponto  de pouco movimento e com a  "máquina" na sua testa.
- Quieta vovó! - Passe tudo e rápido ou estouro a sua cabeça!
O faro dos pivetes era aguçado. Sentiam o cheiro do ouro à distância.
- Calma meu filho! – Não me machuque!
Em poucos minutos os larápios limparam à senhora e se mandaram pela escadaria acima. Foi tão rápida a operação e o susto da senhora tão grande que levou algum tempo para se refazer.
Com a volta a calma, lembrou que haviam lhe dito da dificuldade da venda dos produtos roubados. Que os receptadores inclusive pagavam muito poucos. Às vezes nem dava para comprar algumas gramas de coca. Notou que na subida da ladeira havia um garoto com seus dez anos de idade. Chegou-se até ele...
- Seus amigos me limparam há pouco e correram lá pra cima.
- Conhece eles?
O garoto desconfiado não respondeu.
- Aqui tem dez pratas pra você... – Vá lá em cima e diga a eles que compro tudo que levaram por 100,00!
O garoto subiu. Um deles olhou para baixo e viu que a mulher estava só. Fez sinal que sim... Desceu com um pacote em pano sujo, deixando antever que o material estava ali... Entregou o dito pacote, apanhou a nota e se mandou da mesma forma rápida como apareceu.
Ao chegar ao seu apartamento, ainda trêmula pelo ocorrido,  D. Palmira abriu o pacote em cima da cama. Conferiu... Estava tudo ali...
E, para a sua surpresa, junto com as demais jóias, dois anéis de ouro cravejados de brilhantes que não lhe pertenciam...
Devolver a quem ???
Contabilizar como LUCRO DA OPERACÃO. 

 
 
                                                                       

 
Tino
Enviado por Tino em 14/10/2005
Código do texto: T59467
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Sobre o autor
Tino
Fortaleza - Ceará - Brasil, 89 anos
34 textos (5229 leituras)
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