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UM POETA DA PESADA


Um Poeta da Pesada
                          
 Domingo é dia de festa... É dia de liberação de uma  das pista na Av. Atlântica,  para as crianças de todas as idades.
Manhã radiosa em Copacabana.!
O sol despontando na linha do horizonte, anuncia que vem firme e forte....
Já é grande o movimento dos praticantes do Cooper, da abertura dos quiosques, dos pedalinhos e bicicletas por toda a orla...
Banhistas e surfistas  pintam dentro d!agua e na crista das ondas, somam-se as  equipes de futebol e as de vôlei na montagem das redes; enfim, a  Princesinha do Mar anunciando ser, o domingo um dia  de lazer e bem movimentado.
Sem sono, passei a noite em claro, papeando com o meu amigo o  micro. Um café forte para despertar e lá fui eu para o calçadão com a intenção de me exercitar um pouco e saborear  água de coco.
O tempo , ao contrário das previsões anunciadas de chuva forte, estava lindo e com uma brisa a fazer tremular os panos das barracas..
.- Que direção tomar?
 - A do Leme ou a do Forte de Copacabana ?
A loura de corpo escultural e de bunda provocante, que cruzou à minha frente, deu a decisão... A de seguir atrás dela apreciando todo o seu gingado.
 Inspirar e expirar .... Inspirar e expirar..  lá ia eu...
Agora movimentando os braços para cima e para baixo sem no entanto, despregar os olhos da gata à minha frente...
Viva o dia lindo...   Viva  a mulher carioca...
A danada ao perceber estar sendo paquerada e seguida, acelerou as passadas e não tive pique para segui-la. A perdi por falta de preparo físico.
Pessoa sentada no banco da praia, me chamou atenção  por ser sua fisionomia familiar...
- Conheço este cara! Mas da onde?
Ao me aproximar é que notei ser uma estátua. sentada....Tal a perfeição que cheguei a ver um bêbado lhe pedindo fogo  para o cigarro apagado.
Parado e apreciando a obra, notei a chegada de uma menina que lhe trazia flores... Turistas tirando fotos... Perfeita a figura do poeta Carlos Drumond de Andrade..
Mineiro da cidade de Itabira do Mato Dentro era carioca por opção e morador de Copacabana à rua Joaquim Nabuco 81...
Possuía verdadeira adoração pela cidade do Rio de Janeiro que o acolheu.
Ao pesquisar suas obras encontrei, entre muitas: A BUNDA QUE ENGRAÇADA
Possuía o escritor notório gosto pela beleza feminina, e em especial pela parte de sua maior admiração, A BUNDA  


A bunda que Engraçada
Carlos Drumond de Andrade

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai pela frente do corpo. 
A bunda basta-se.
Existe algo mais? 
Talvez os seios.
Ora " murmura a bunda " esses garotos ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas em rotundo meneio. 
Anda por si na cadência mimosa, no milagre de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte por conta própria. 
E ama. Na cama agita-se. 
Montanhas avolumam-se, descem. 
Ondas batendo numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda.
Vai feliz na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda
rebunda





Tino
Enviado por Tino em 14/10/2005
Código do texto: T59571
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Sobre o autor
Tino
Fortaleza - Ceará - Brasil, 89 anos
34 textos (5229 leituras)
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