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                                     Futebol     
     
     “Hei de torcer até morrer!” Síntese mórbida da paixão lúdica. 
     Lamartine Babo, o poeta lírico do esporte e do carnaval, criou o inimaginável. Por intermédio do cancioneiro popular, converteu a lógica do egoísmo clubístico, em Louvores, ora amados, outras vezes odiados, mas sempre admirados por todos: “...os tricolores de coração”, “...os heróicos portugueses”, “...os sempre gloriosos”, “...os que teriam desgosto profundo”. 
     A pátria calçou chuteiras; o povo, as sandálias da humildade. Todos, entretanto, julgam-se os donos da bola: a redonda edificante que os faz sorrir ou chorar de emoção indescritível e esquecer as agruras de estarem sós. 
     Como não vencer em Pelé, o Rei do Futebol, o Atleta do Século? Ou em Zico, o Galinho; e Rivelino, o Curió das Laranjeiras; e Gerson, o Canhotinha de Ouro; e Carlos Alberto, grande Capita; e Jairzinho, o Furacão; e Roberto - dá-lhe Dinamite -; e Leônidas que, apesar de da Silva como tantos, com sua humilde e genial bicicleta, transformou-se num Diamante Negro de indiscutível dulçor; e o Demônio das Pernas Tortas, a Alegria do Povo, o moleque dançarino, o Mané, assim mesmo, em maiúsculo, o gênio Garrincha? 
     Obrigado a Romário, Pepe, Tostão, Adão! 
     Saudades de vocês: Caju, Zito, Leão, Falcão! 
     Valeu: Cafu, Ronaldo, Ronaldinho, Ronaldão! 
     Obrigado a Dunga, Tinteiro, Fio, Caldeira, Buião, MicKey, Samarone, Manfrini, Cafuringa, Perivaldo e a tantos outros folclóricos epítetos, que alegraram as jovens tardes de domingo. 
     Ah, os Da guia! Pai e filho ungidos pelo espírito de Pan. 
     Nas primeiras aulas pueris, aprendeu-se a amar sílabas folclóricas: Dadá, Dé, Didi, Dodô e Dudu. 
     Felicidade e Glória a Oto, Emílio, Parreira, Telê e Brandão! 
     Salve Coutinho, Duque, Didi, Aimoré e Felipão. 
     Ah, mestres Ziza, Zagalo, Zezé, que maravilha engolir essa zoeira! 
     Viva a miscelânea e a integração multirracial! 
     Alvíssaras a los hermanos Figueroa, Doval, De Leon, Pedro Rocha e Romerito. 
     Thank you Sir Oscar Cox and Sir Charles Miller. Obrigado pela brasilidade emprestada a esse nobre esporte bretão! - com licença a Gonçalves, por certo, anteviam que a bola que aqui se joga não se pode jogar lá. 
     Saudosas vozes do rádio-esportivo. Arroubos de ufanismo de locutores e comentaristas eternizados: Jorge Curi, Valdir Amaral, Doalcei Bueno de Camargo, Galvão Bueno, João Saldanha. Geraldo José de Almeida, Luis Penido, Sérgio Noronha, José Carlos Araújo, Luis Mendes, Luciano do Vale e Armando Nogueira. 
     “Sai que é sua Tafarel!” 
     “ O relógio marca...” 
     “ Minha gente...” 
     E a gaitinha do tempo – priiiiii! – remete-nos às discussões das tardes de Fla-Flu. Ari Barroso provoca Nelson Rodrigues. A contenda termina em litros de chope gelado, em companhia das Certinhas do amigo Stanislaw. O placar do jogo já não importa, fora escrito há dez mil anos pelas mãos do Sobrenatural de Almeida, deus do Maracanã, o Olimpo do futebol. 
     Que venham Kaká, Dagoberto, Robinho. O País do Futebol prepara-se para mais uma Odisséia, e nós, meros mortais, humildemente, compreendemos e aceitamos sua sina de vencedor.
Nel de Moraes
Enviado por Nel de Moraes em 14/10/2005
Reeditado em 05/04/2007
Código do texto: T59708

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Sobre o autor
Nel de Moraes
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 56 anos
407 textos (351737 leituras)
2 e-livros (297 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 18:42)
Nel de Moraes