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(FOTO: GOOGLE)


BINÚ
 
  Lembro-me de que houve uma vez quando Eu era criança (não sei quantos anos Eu tinha na época ou em qual ano foi)  a minha mãe me levou para a feira livre de Itapetim – cidade que fica a 36 km de Teixeira. O objetivo da viagem seria a compra de roupas e calçados que seriam usadas por mim na festa da Padroeira Santa Maria Madalena. Essa festa, que tem por objetivo angariar fundos para a igreja católica de Teixeira, seria realizada dali a poucos dias na minha cidade.
  Como era a primeira vez que Eu ia visitar Itapetim (e acredite! essa foi a única vez que fui lá!), fiquei bastante ansioso para transitar pela cidade desconhecida. Imaginei que Eu iria ficar impressionado com os grandes prédios e congestionamentos típicos de uma grande capital ao chegar lá. Porém, assim de desembarcamos em Itapetim, tudo isso desceu pelo ralo quando fui tomado por aquele clima de tranquilidade característico do interior. A cidade era pequena assim como Teixeira.
    Na feira livre, cumprimos o objetivo da viagem ao comprar vestes e calçado a um preço bem acessível. Depois disso fomos almoçar.
   Terminado o almoço chegou a hora de pegar a estrada de volta.
   Beleza! Até agora não aconteceu nada de inusitado e fora o fato de visitar uma cidade que até então era desconhecido por mim, esse dia teria tudo para ser apenas mais um dia trivial na minha vida. Ok, então! Eu disse que “teria”. Teria... se da nossa ida até o ponto para pegar o transporte de volta Eu não tivesse avistado uma figura ilustre para lá de excêntrica.
   Carregando as sacolas de compras, Eu e minha mãe já estávamos prontos para regressar para Teixeira. Quando íamos passando de frente da igreja, vi que diante dela, no meio da rua, estava um ancião vestido com uma roupa de monge marrom. O calor era infernal! Ele era mulato, tinha cabelos brancos curtos e barba longa. Mas o aspecto dele que mais chamou a nossa atenção, foi a estátua de Jesus que ele segurava. Durante todo o tempo, ele pressionava a testa de Jesus no lado direito da sua cabeça enquanto descrevia trajetórias sem sincronia pelo meio da rua.
   Nenhum de nós dois ficamos intimidados com ele, muito pelo contrário: como uma pessoa de muita fé religiosa, a minha mãe fez questão de ir até o estranho senhor tentar interagir com ele. Não me lembro nenhum pouco da conversa.
     Ao chegar perto, vi que a parte da cabeça onde ele pressionava a testa de Jesus era um pouco afundada. Parecia até que já fazia anos que ele realizava aquela prática. Não me lembro das palavras proferidas por ele (não tenho uma memória tão boa). Recordo apenas de que durante todo tempo ele demonstrava estar muito agitado, se movendo pelos lados e não respondia com coerência as perguntas que por minha mãe eram feitas, ou seja, ao invés de dizer algo coeso, as palavras que saia da sua boca pareciam mais expressões desconexas.
   Curiosa sobre o estranho senhor, a minha mãe abordou um transeunte e fez a ele perguntas sobre a vida daquele idoso vestido de monge que,  durante todo  tempo, mantinha fixado no lado da sua cabeça a testa da estátua de Jesus.
       Depois de ter adquirido algumas informações, fomos pegar a estrada.                Durante todo o percurso de volta para a minha terra, nós não conversamos sobre a pessoa que tornou aquela experiência inesquecível para ambos. Apenas uma sequência de imagens dominava a minha mente. Conjunto é este que formou um vídeo que até hoje não saiu do play. Quanto a minha mãe, ela pareceu estar tão impressionada quanto a mim. Mesmo tendo morado em Teixeira durante a maior parte da sua vida, acho eu que aquele semblante indicava que foi a primeira vez que ela viu aquilo.
 Recentemente, tive a ideia de realizar na internet uma averiguação sobre a vida daquele estranho. Fiz isso porque me dei conta de que saímos de lá sem sequer saber do nome dele. Na pesquisa, acabei encontrando vários vídeos no youtube onde cidadãos locais o abordavam. Vi lá que ele era conhecido regionalmente pelo nome de Binú (não sei se é o seu apelido, já que só assistir apenas  um vídeo dele). Não fui tão a fundo na pesquisa até porque o meu objetivo aqui foi apenas transcrever essa memória em forma de Crônica.
   (Nos comentários, deixarei um link que levará você a um vídeo de Binú)
Helenilson Martins
Enviado por Helenilson Martins em 19/05/2017
Reeditado em 22/05/2017
Código do texto: T6003315
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Helenilson Martins
Teixeira - Paraíba - Brasil, 21 anos
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 29/06/17 01:08)
Helenilson Martins