Art by LUIGI BECHI (Florença, Itália,  1830 -1919) Óleo sobre tela



DAS PSEUDOLEITURAS E COMENTÁRIOS DESPROVIDOS DE SENTIDO

Engana-se quem pensa que escrever é fácil. Ser escritor é um ofício que acarreta consigo várias dificuldades, porém, ser lido e receber comentários e críticas construtivas é a maior recompensa que pode haver. 
Não raras vezes comparo o ato escrever a uma dança solitária que só deixa de o ser quando o leitor vem ler o que escrevemos e, desse modo, fazer-nos companhia. Então os passos fluem com elegância e  trazem-nos mais inspiração e vontade de escrever.
Manuel Bandeira disse: «a literatura não me trouxe dinheiro, mas prestígio e recompensa». Se pedirmos a dez escritores para enumerarem os motivos que os levam a escrever, muito provavelmente ouviremos dez respostas diferentes. Talvez uma delas seja: «para ganhar dinheiro». Conheço escritores com v
ários livros publicados e nunca os ouvi dizer que enriqueceram com a venda de suas obras. Acredito que o maior ganho é o prazer, a satisfação de ser lido.
 
Neste espaço literário que é o Recanto das Letras, questões relacionadas com textos publicados, quantidade de comentários e de números no "ranking das leituras" semanais renderiam várias páginas. Podemos verificar que algumas pessoas que publicam textos neste site ficam saltando de escrivaninha em escrivaninha, quais borboletas pousando em coloridas e perfumadas flores de um imenso jardim. Não fazem sequer uma leitura completa dos textos, posto que sua intenção é apenas deixar um curto comentário, às vezes apenas duas palavras, e obter retorno. Esses pseudoleitores buscam, única e exclusivamente, números e acham que se obtiverem dezenas ou centenas de leituras e comentários, ainda que vazios e desprovidos de sentido, isso é o mais importante. Ficam, então, vários dias sem publicar novo texto até conseguirem os resultados ambicionados. Na minha modesta opinião, fazer isso com os bons escritores que publicaram excelentes textos neste Recanto das Letras, é uma tremenda falta de respeito. 

Recentemente li uma crônica que abordava o tema luto e tristeza e, para meu espanto absoluto, o mesmo recebeu comentários deste tipo: "Quanta beleza e cor nesses versos!"; "Leitura agradável, me visite!". Como? Versos numa crônica que não tem um único verso? 
Outro assunto que merece atenção é a falta de respeito de alguns leitores em seus comentários. Ainda que não se esteja de acordo com a opinião do escritor, se se souber usar corretamente as palavras, uma crítica, não tem que ser destrutiva, ela poderá ser muito bem vinda e somar, se for construtiva. Na minha opinião estamos aqui para somar e não para subtrair ou dividir. Coisas boas, de soma em soma, vão-se multiplicando. E dividir, só o amor, posto que quanto mais dividimos, mais o multiplicamos. Mas, a escolha é de cada um. 

Quantidade não é sinônimo de qualidade. De fato, nem sempre os bons textos são aqueles que conseguem obter mais leituras e/ou comentários. Ouvi, algures, que alguns escritores (neste e noutros sites) usam técnicas para se manterem no "topo". Por exemplo: acessam, anonimamente (ou seja, sem fazer login), várias vezes ao dia, seus próprios textos, chegando mesmo a comentá-los Desse modo  conseguem aumentar o número de leituras. Chega a ser cômico! Não é normal esse desespero todo para estar no "top dos mais lidos". Penso que essas pessoas necessitam de ajuda psicológica. Uma boa terapia seria aprender a ler boas obras, mas ler muito! 

Comecei a publicar meus textos no Recanto das Letras há sete anos.  Não publico noutros sites e não tenho blog. Particularmente, leio e comento poucos escritores, por falta de tempo e ter outras atividades além da escrita. Nunca liguei para números de leituras e quantidade de comentários. Alguns textos meus não têm comentários. Amo escrever. Amo aquilo que escrevo e que sai do meu íntimo, e se um texto meu tiver uma única leitura acompanhada de um comentário sincero, provido de conteúdo e sentido, me dou por satisfeita, porque, pelo menos, uma pessoa leu e valorizou o meu trabalho.

O mundo carece de boa literatura! E a boa literatura precisa de bons leitores, não de pseudoleitores. 
É com a interação, com o diálogo, com a crítica construtiva que podemos melhorar, crescer, evoluir. Pessoalmente, essa é a minha maior motivação para continuar escrevendo. E enquanto houver interação e diálogo, haverá motivação e inspiração para escrever mais e cada vez melhor. 
A arte de escrever é, de fato, recompensadora! Parabéns a todos os escritores do Recanto das Letras e a todos aqueles que gostam de ler. 



Leitura: o que se lê;  arte ou ato de ler;  conjunto de conhecimentos adquiridos com a leitura; maneira de interpretar um conjunto de informações;  

Pseudo: termo de origem grega, a partir de pseudes pseûdos, que significa literalmente “mentira” ou “falsidade”. Comumente, pseudo também é empregado como uma gíria, qualificando algo como duvidoso, mentiroso ou falso.
Exemplos de palavras com o prefixo “pseudo”:

. Pseudônimo: um nome falso usado por escritores que não querem se revelar;
. Pseudociência: uma ciência falsa ou suposta.  
(in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)



Ana Flor do Lácio

 
Ana Flor do Lácio
Enviado por Ana Flor do Lácio em 23/06/2017
Reeditado em 24/06/2017
Código do texto: T6035663
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2017. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.