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Realidade Mascarada

Estou diante de minha cidade - a querida B.H, que acaba de completar cem “aninhos” de idade. Olho e vejo outdoors com rostos felizes dizendo que estamos na capital das Américas! O tempo passa e chega o dia do tal encontro da ALCA, não sei porquê não encontro pivetes nas ruas, as escolas públicas estão sem aulas e o trânsito parece mais tranqüilo. Resolvo dar um passeio no centro da cidade, passo pela Avenida Cristiano  Machado e noto que o asfalto está novinho. Quando chego no centro, observo que o “pirulito” não está pichado, Por um instante, chego até mesmo a pensar que estou sonhando ou de alguma forma, não estou na minha cidade.

Tudo parece tão certinho, não acham? Quando comecei a pensar que eu estava ficando maluca ou em estado de delírio, resolvo ouvir as notícias e ler as manchetes nos jornais. Fiquei curiosa e precisava averiguar o que estava acontecendo com a minha velha conhecida BH. Foi uma tremenda decepção, a começar pela saúde pública, ao ver o menino André que virou símbolo do hospital das clínicas morto de tanto esperar atendimento. Uma negligênica imperdoável. Soube também, que os meninos de rua haviam sido escondidos e nem sequer levaram alimentos para as creches e abrigos, onde os colocaram, assim ficou insuportável o trabalho dos voluntários que tentaram em vão, contornar a situação. Descobri que tudo era apenas uma camuflagem de toda sujeira e de toda pobreza da minha cidade, que não é diferente da realidade brasileira vivida em outras cidades. Continua a mesma história: empresários e políticos discutindo “questões importantes”, enquanto o povo sofre, geme, mas também grita.

Não é à toa que um dia ao passar novamente pelo centro, vejo uma passeata que fazia parte do Foro Paralelo das Américas, afinal de contas o povo não é bobo e não ficaria parado apenas olhando os “poderosos” resolverem o futuro da nossa nação. Enquanto isso, continuo vivendo minha vida, observando a realidade que, às vezes, é tão contraditória e corrupta. Luto por uma vida digna, enquanto o tempo passa...


Escrevi esta crônica em junho de 1997, na ocasião do Encontro das Américas para discutir a ALCA (Aliança de Livre Comércio das Américas). Na época eu estava no segundo ano do segundo grau. Hoje, esta indignação me levou a escolher o jornalismo como profissão e convivo com esta realidade dura em todo tempo no meu ofício. Foi aí que resolvi fazer mestrado em Literatura e estudar poesia, pois acho que nosso mundo precisa do olhar dos poetas para colocar um pouco de crença e utopia no coração de nós brasileiros que estamos às vésperas de votar no Referendo sobre a Proibição de Armas de Fogo que na minha opinião não veio em boa hora, pois primeiro precisamos resolver outros problemas básicos. Sem contar que desde quando as leis são respeitadas no Brasil?

Também criei o site www.imersaolatina.com que é um espaço de Comunicação Alternativa para a América Latina e Caribe, pois creio que temos tanta informação a trocar e quem sabe ao nos indignarmos com “nuestros hermanos” não consigamos encontrar soluções em conjunto e ainda acreditar que um outro mundo é possível? Estaremos em janeiro na Venezuela no Fórum Social Mundial para discutir nossos problemas, protestar e buscar soluções através da troca de idéias e conhecendo alternativas que têm dado certo, pois ainda existem pessoas que buscam o bem do próximo ao invés de poder, fama e dinheiro. Em contrapartida a ALCA (Aliança de Livre Comércio das Américas), por exemplo, A ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas) está sendo proposta e já começou com um acordo entre Cuba e Venezuela.




Brenda Marques Pena
Enviado por Brenda Marques Pena em 17/10/2005
Reeditado em 17/10/2005
Código do texto: T60438
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Sobre a autora
Brenda Marques Pena
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 35 anos
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2 áudios (268 audições)
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Brenda Marques Pena