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MONTANHAS DA VIDA

MONTANHAS DA VIDA
Percorri tantos caminhos. De norte a sul. Conheci as pirâmides do Egito, o monte das oliveiras, em Jerusalém, e passeei de gôndola, em Veneza. Descobri um mundo universal. O canto é um só. Escutei vozes e silêncios inquietos. Decodifiquei sinais, signos, tal como um interprete de língua não falada.
Amadureci ao som de ventos gélidos de frio. Aprendi a não resistir contra o inverno, encontrei em mim, a coragem que a estação exige. Nasci em julho. Sou do frio e aqui estou.
Aprendi a análise, ao invés, da crítica. Olhar o outro, de forma múltipla, pois cada um de nós tem uma natureza peculiar. Um pôr- do- sol sob diversos ângulos e cores, tais como as tintas de um pintor. Desconhecido. Assim somos nós, desconhecidos em nossas dores, essencialmente frágeis, mas, paradoxalmente, gigantes pela nossa dupla natureza: humana e brasileira.
A chuva em nós espelha lágrimas, forma rios, às vezes, dolorosamente, imperceptíveis. O sofrimento aperfeiçoa, mas deixa marcas profundas do lado esquerdo do peito. Cicatrizes que justificam a luta e a caminhada. O canto é de protesto, pés tão cansados e os cabelos, já, com fios brancos. Quisera poder congelar o tempo e frear as horas que passam, em ritmo frenético, mas não posso. É preciso, então, prosseguir. Andarilho sem tréguas, mesmo sem um mapa e nem forças. Mesmo sem água. Resta o exemplo dos bravos e dos santos. Heróis da paz e do amor universal, tal como João de Deus.
Somos uma voz que ecoa no deserto e desafia a estabilidade da pedra.
Somos uma voz, muitas vozes, corais de esperança. Imenso é o sol que clareia as trevas, esquenta nossos frios e nos aponta o caminho da primavera.
E assim, prosseguimos nossas lutas, entre desertos e montanhas, descobrindo mundos e repaginando vidas. Alguém nos ouvirá. Viver é preciso, ainda que, com suor no rosto e bengalas nas mãos.
Cassiano Santos Cabral

pássaro poeta
Enviado por pássaro poeta em 17/10/2005
Código do texto: T60555

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Sobre o autor
pássaro poeta
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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