CRÔNICA DAS CIDADES INVISÍVEIS

Essa poderia ser uma referência à crônica

de Ítalo Calvino, inspirado pelas narrativas

de Marco Polo. Quem dera este texto alcan-

çasse tão sublimes méritos.

A cidade transformou-se num espaço mais

para o angustiante do que para o acolhedor.

As praças estão sitiadas, cercadas, quase ele-

trizadas (mesmo que nenhum governante

tenha declarado estado de sítio) e os bancos,

outrora ladeados de belas begônias

e zínias para proporcionar mais encanto aos

casais de namorados, às crianças brincantes e

aos velhinhos, estão repletos de esterco de pom-

bos. Esses espaços estão isoladas do resto da

cidade, das ruas barulhentas de buzinas, de

carros poluidores.

O gramado está amarelado e as flores

estão a murchar. Os bancos que deviam dar

abrigo às pessoas são ocupados peles fezes

dos pombos. As praças se tornaram labirintos

que não pertencem mais aos cidadãos. Contra-

riam tão acentuadamente o poeta Castro Alves

que um dia declamou: “A PRAÇA É DO POVO”.

Joel de Sá
Enviado por Joel de Sá em 15/08/2017
Reeditado em 16/08/2017
Código do texto: T6084643
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