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Cantar.

            Estive pensando, que sempre gostei de cantar e assobiar, fui um menino passarinho, como diz a canção do Luis Vieira..."com vontade de voar".
            A minha mãe imaginava que eu não soubesse ler, embora tivesse apenas cinco anos,  não fazia alarde e escondia a cartilha para que o meu pai não tentasse repassá-la, e um dia se surpreendeu, peguei o seu cancioneiro e fiquei cantando suas canções a todo o pulmão. Ela veio e me mostrou outros escritos, que comecei a ler como quem nada quer, a leitura e o canto nasceram juntos para mim.
             Me lembro que no Grupo Escolar, formavam-se filas de alunos antes de entrar ordenados rumo as classes, mas antes tínhamos que entoar alguma canção, cada dia era uma diferente: hinos ou canções do folclore, e me lembro bem de algumas até hoje;
            - Se esta rua fosse minha...
            - Cachorrinho está latindo ...
            - A machadinha pro meio da rua...
            - Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho...
            Gostava desses momentos, me soltava com vontade, procurava intuitivamente as notas, e com a voz de criança cantá-las da melhor maneira, com o coração. Aprendíamos rápido, sem nada anotar, da segunda vez já estávamos cantando.
            Mais tarde , meu irmão e eu cantávamos as canções do rádio em casa, a TV não era tão presente em nossas vidas, sou da antiga, o rádio comandava o entretenimento, e era muito legal, pois podíamos fazer um mundo de coisas sem precisar olhar para ele, bastava ouvi-lo.
            Um dia aprendi a tocar violão, mas confesso que foi mesmo para me acompanhar, o prazer maior está realmente em cantar.
            É preciso cantar com a alma, com o coração, essa coisa de diafragma e tal...vem depois , deixemos para os entendidos, nada de puxar o freio de mão para cantar, tem que abrir a boca, mas não vale gritar, as palavras devem sair como a brisa, e saber o que elas trazem em sua mensagem.
            A minha mãe gostava de cantar enquanto fazia as tarefas domésticas, já o meu pai não cantava nem "Atirei um pau no gato", não tinha ouvido, mas gostava de ouvir belas canções.
            Sou até hoje o mesmo menino passarinho, nesta semana estivemos em uma "pizzada" na casa de amigos, e uma senhora me disse : Você não é o cantor, trouxe o violão ? - Não , hoje não, hoje é só pizza mesmo, rsrsss...e duas ou três pessoas que lá estavam, passaram a me chamar de cantor, o que achei graça.
           
           
         
Aragon Guerrero
Enviado por Aragon Guerrero em 13/09/2017
Código do texto: T6112644
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Sobre o autor
Aragon Guerrero
São Paulo - São Paulo - Brasil, 63 anos
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Aragon Guerrero