Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

NA CURVA DA MATURIDADE***

Na curva da maturidade, ando sentindo a leveza dos anos, a despeito do peso do tempo. Venho seguindo mansamente a fluidez da vida.
E a brisa que bate na minha janela é mais gentil do que há 20 anos.

Na curva da minha maturidade, venho desfazendo os nós, aparando arestas, entrelaçando os laços e principalmente, tentar enxergar além das verdades supostamente explícitas.

Hoje na plena maturidade, tenho os dias de assistir a vida da janela, desfrutar das alegrias advindas ou contemplar a sua face amiga no implacável espelho do tempo.
 E sinto certa benevolência com o passar dos anos, uma amabilidade frente às mudanças e uma doce aceitação com suas verdades implacáveis.
Olhando para trás, de repente você analisa todos os esforços que demandou. Todas as tentativas pelos quais lutou e todos os argumentos pelos quais brigou.
 E é só nesta hora que exausta, consegue visualizar o fim de uma etapa. E sendo o mais clichê possível, você descobre que olhando para trás, já não nos resta mais nada. Resta-nos somente seguir em frente, possuídos de um misto de ceticismo saudável com ingênuas esperanças no futuro, o que te faz bem de qualquer forma.

Porque na curva da vida, precisamos nos permitir sonhar, mudar a rota, traçar novos caminhos, achar alegria em outras estradas. Não nos delimitar e criar condições para a felicidade. Não nos deixar soterrar pelos fracassos de forma alguma.

Se necessário for, sair dos “escombros” e fazer um túnel de modo a respirar. E neste túnel, temos a obrigação de percorrê-lo com o coração limpo, esboçando amor aos nossos projetos de modo que aliviados, respirarmos a dádiva da esperança, única amiga nesta etapa de vida.

E na curva da vida, finalmente descobrimos que somos donos de nós mesmos, das nossas escolhas certas ou equivocadas, das nossas portas na cara ou das janelas entreabertas, mas principalmente, que possamos descobrir que somos donos da nossa liberdade.

Por outro lado, no nosso gênero, nós mulheres enfrentamos quase tudo. Enfrentamos primeiramente nossa condição, nossas escolhas possíveis ou impossíveis, nosso papel exercido, ou nosso desejo mais assumido. E acima de tudo, nós mulheres enfrentamos o mais alto preço que podemos pagar, o de querermos ser livre.

Na fase atual, aprendo que muitas vezes precisamos apenas das luzes acesas da alma, da leveza dos pés, da graça gratuita e desta beleza que transcende apenas do espírito.

Na curva da maturidade, também percebo que a vida é como a natureza, fecha ciclos, manda recados, direciona novos caminhos. Basta ouvir o silêncio ruidoso do destino.

(Ângela Gasparetto)



Angela Gasparetto
Enviado por Angela Gasparetto em 13/09/2017
Reeditado em 13/09/2017
Código do texto: T6113168
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2017. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Angela Gasparetto
Franca - São Paulo - Brasil
257 textos (9524 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 25/09/17 10:39)
Angela Gasparetto