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A iniciação baladeira

O ano era 2010. O calendário marcava 18 de setembro, sábado. Poderia ter sido um sábado como qualquer outro. Mas não era bem assim. Então com 15 anos, este que vos escreve nunca havia ido a uma balada ou qualquer outra festa noturna sozinho. À noite, aconteceria um evento pelo Instituto Estadual de Educação João Neves da Fontoura, minha escola, no clube social Grêmio Náutico Tamandaré. Tratava-se da escolha da “Broto João Neves”. Apesar da nomenclatura estranha, nela se decidia a mais bela estudante do educandário. Praticamente todos os estudantes do ensino médio estariam lá. Logo, não gostaria de ficar de fora, tanto que passei a semana inteira tentando convencer meus pais a autorizarem minha ida. Sem sucesso.

Graças às insistências de parentes com minha mãe, a principal defensora do “adiamento baladeiro”, a festa contaria com minha presença, autorização obtida somente no fim da tarde de sábado. O jovem ficou extasiado. Sua inserção em atração noturna aconteceria na noite daquela reta final chuvosa de inverno. Passaram-se as horas com extrema rapidez. Vesti uma camisa social azul, calça jeans e um sapatênis da marca Pegada. A festa iniciava às 22 horas. Queria aproveitar desde os primeiros minutos.

Antes de descer do carro dos meus pais, duas condições foram impostas. Às 02h, tinha de deixar a festa e aguardar na portaria, bem como estava proibido de ingerir qualquer bebida alcoólica. Mesmo contrariado, acatei as ordens. Após passar pelo procedimento de praxe da revista por seguranças, adentrei ao clube.

Havia um show de luzes coloridas, o espaço estava cheio, mesas e cadeiras foram dispostas lado a lado, nos cantos, com o meio da pista livre para o desfile das candidatas e danças do pessoal. O concurso contou com aproximadamente dez garotas, que desfilaram com vestidos nas cores da escola (azul, branco e vermelho) e posteriormente com camiseta e shorts. Não lembro quem foi a vencedora, mas a moça foi festejada pela maioria dos presentes. Até mesmo por membros de torcidas de outras candidatas. Tentei convencer uma amiga a participar, mas não obtive sucesso.

O funk, o pagode e a música eletrônica dominaram a noite. Fenômeno da época, o hit “Pa Panamericano”, de Yolanda Be Cool, tocou pelo menos três vezes. Apesar da repetição, o pessoal dançou em todas. A música tem cinco minutos envolventes, de primeira qualidade. Para

Particularmente, não aconteceu nada muito relevante naquela festa. Obedecendo ordens superiores, fiquei apenas no refrigerante e na água, ainda que a tentação para consumir aquela cervejinha tenha sido forte. Muito forte, na verdade. Como um adolescente tímido que era (há resquícios dele ainda), não tirei ninguém para dançar. Sozinho, dancei do meu jeito alternativo e observei os embalos ao meu redor. Alguns pares estavam tão coreografados, que atraíram olhares, seja de curiosidade, admiração ou inveja. Testemunhei, inclusive, o início de um relacionamento, dissolvido no ano seguinte por circunstâncias diversas, e a decepção de um rapaz ao ver a então garota dos seus pensamentos na companhia de outro ser. Foi uma noite marcante, mas não tão empolgante.

Quando faltavam menos de cinco minutos para o horário combinado de saída, olhei para todos os lados, fiz questão de memorizar alguns aspectos da festa a fim de comentar na aula de terça-feira, visto que na segunda era feriado estadual, e me dirigi até a portaria. Lá estava meu pai esperando com tamanha e surpreendente pontualidade. Embarquei no veículo e fui embora. Com a iniciação baladeira para sempre na memória.
Marcel LP
Enviado por Marcel LP em 12/10/2017
Código do texto: T6140799
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Sobre o autor
Marcel LP
Cachoeira do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil, 22 anos
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Marcel LP