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É PRECISO ESCREVER AO CORRER DA PENA ; SEM ESCOLHER AS PALAVRAS

Vomitar as palavras. É preciso  e necessário  este ato  para se  poder escrever. Deixar  a pena descrever os seus arabescos, o ponto e virgula, as exclamações. Interrogatórias e interrogativas  palavras  e vocábulos  inventados, deduzidos, fingidos  que são verdadeiros. Escrever  fora das regras da boa  métrica, da educada  retidão  da gramática. Pensar com os dedos  quer seja  no bico da caneta, nas teclas de um computador  ou na velha e esquecida  máquina  de escrever. Surrealisticamente indo  onde nenhum homem  jamais esteve.Ousar  olhar  a Medusa  de frente, rir  na cara  do educado beletrista  ou xingar o imortal   de qualquer academia. Ser como as crianças, os loucos e vagabundos  mansos na arlequinal  paixão peripatética  dos filósofos esfomeados. Jogar  os lauréis  no fogo, participar do banquete  antropofágico  canibalesco  do mesmo modo com que  destrincha  o frango com a ponta dos dedos.É preciso  escrever  ao correr da pena, deixar  que neste momento  a caneta comande  o destino  da tinta, do mote perdido  na ponta da língua.É preciso  deixar que as palavras  se escolham, que deixe ao arbítrio delas mesmas  o juntar-se em fonemas, silabas  o que acaso  vier á cabeça. Escrever e se expor  como tudo deve ser, vomitar  escarradamente  tudo o que  o Universo consente  e até que as musas, fiéis guardiãs  das artes e mistérios  nos deixar  no escuro. Descer  do muro da escrita  romanesca, do educado pouco a pouco  dos que se  arvoram em  fiscais do gosto alheio. Cuspir  todas as imundices perpetradas pelo bicho homem  com a mesma candura  de uma criança sorrindo.Parar  de procurar em dicionários para ver se existe a palavra Otário. Ou então  inventar seu  próprio léxico  gramatical  fonético  para ser utilizado pelos  analfabetos  reais ou funcionais. Ousar  deixar escrito no papel  branco reluzente,   palavrões  que prendem. Ou como  um tolo  açucarado  romântico incorrigível  escrever alexandrinos, odes ou poesias passadistas – mesmo aquelas de pé quebrado  - para a sua amada, a moça (ou o rapaz musculoso) que só  você sabe  que existe  e que  se real, nunca  haverá de  dirigir palavra. É preciso  escrever ao correr da pena; sem escolher  palavras.

MARIO ORTMAN FERREIRA FILHO
GROTIUS
grotius
Enviado por grotius em 22/08/2007
Código do texto: T619252

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 62 anos
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