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RESPOSTA À "FINAL"

                                                          A Leon del Bargo

  Depois de ler a sua carta "FINAL", senti-me um tanto melancólico.
  Desde que a minha mãe sofreu um AVC não tem sido muito fácil vê-la naquele estado deplorável. Já não é de agora que percebi que nós não somos nada - como já dizia Fernando Pessoa com seu heterônimo, problemático, Álvaro de Campos no poema "Tabacaria".
  Todos passamos por dificuldades. Os ventos e as tempestades jamais cessam. As lutas fazem parte desta escola que é a Vida. Com o passar do tempo, percebemos que tudo é feito para moldar nosso caráter. Estava assintindo uma reportagem na televisão, quando passava um ourives lapidando uma pedra preciosa - bruta; cheia de arestas, sem brilho. Aos pouco foi aparecendo sua luz... Não é o mesmo conosco? As pedras, o vidro e os outros materiais que passam pelo processo de polimento, não podem reclamar, nós sim. Aí vêm as lamentações.
  Tive muitos motivos para desistir da vida. Não vou falar para não  entendiar ninguém. Dessas lições o que tenho sempre aprendido é que é-nos pedido três coisas: "PACIÊNCIA, TOLERÂNCIA E PERSISTÊNCIA".
  Um exemplo foi quando comecei a escrever poemas. Tinha 19 anos e toda arrogância da mocidade. De lá para cá foram muitos as perdas e ganhos. Quando comecei a escrever sonetos, teve um professor que me disse que eu não era poeta para sonetos. Outro foi mais seco: "Não quero ler essas porcarias, vai amadurecer primeiro pra depois você me mostrar. Pensam que eu desisti? Muito pelo contrário, aí que eu ficava no pé dele até que ele resolveu lê-los. Ele me disse que poesia, antes de tudo, "é trabalho", "leitura e aperfeiçoamento" - palavras do próprio. Todas essas críticas ajudaram-me a evoluir na escrita. E quero sempre aprender mais. Eu não desisti do meu sonho. E ninguém deve aceitar que está derrotado. Não quero dizer que não tenho momentos tristes - todos temos. Mas, cada palavra de desânimo deve ser encarada como estímulo. Claro  que às vezes  ficamos tristes; mas quando essas coisas acontecem é porque estamos incomodando de uma forma ou de outra. Dia Gomes falava "Quem não veio ao mundo para incomodar nem deveria ter nascido". E "Escrevo para incomodar, não para acomodar". É isso a vida.
   Minha entrada na Recanto da Letras, deu-se após eu procurar um concurso de Literatura. Foi aí que eu descobri um tal de Marcos Loures. Ao ler os seus poemas, fiquei maravilhado. Mandei-lhe um e-mail e, para a minha surpresa, ele me respondeu. Hoje aqui estou. Cada vez mais fazendo novos amigos e novas descobertas. Depois do Loures, veio o Demétrio Sena, o Mário Roberto Guimarães, a Ledalge, a Zélia Nicolodi, o Aldo Lopes, a HLuna, a Ana Maria Gazanneo,  o Leon del Bargo, o Sam Moreno, dentre outros. Está sendo algo novo para mim. Não escrevia mais poemas dessa forma, desde quando iniciei-me nas letras.
  O Marcos Loures que tem me aturado. Já escrevi, com ele, mais de cem sonetos.
  Uma coisa que tenho observado é que a poesa está morrendo nos nossos dias atuais... Poemas são para poucos... mas isso não me impede de continuar meu sonho, e nem de aventurar-me nesse universo incrível que é o mundo das palvras.
  Meus familiares não lêem nada. Venho de família simples. Olho ao meu redor e vejo a mediocridade, os carraspaneiros, os "zé povinhos". Pergunto-me quem lê Machado de Assis? Dostoiévisk? Clarice Lispector? Carlos Drummond? Manuel Bandeira? Nada; o povo se preocupa apenas com a vida alheia. Que faz fulana ou sicrano. Quem ganhou no jogo de ontem. Como terminou o capítulo da novela. E futuro?... aí abandonado... deixando ser levado pela brisa.
  Essa palavras são para lhe dizer amigo: NUNCA DESISTA DE SEU SONHO! Deixem que fale que quiserem. A inveja sempre esteve - e vai estar até sabe-se quando -, pervertendo e depreciando aqueles que se mostram sem receios, que vencem com honestidade, que amam sem vexame, que mostram-se leais e sinceros...
  A VIDA CONTINUA COMPANHEIRO!
  BOA SORTE NESSA NOVA JORNADA!

                 Gonçalves Reis.

    23/08/2007
 
   
Gonçalves Reis
Enviado por Gonçalves Reis em 23/08/2007
Reeditado em 23/08/2007
Código do texto: T620147

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Sobre o autor
Gonçalves Reis
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