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Nuvem de lágrimas

Puxou uma banqueta plástica.
Sentou-se.
Pegou meu pé esquerdo, depois o direito.
Primeiro aparou as unhas. Lixou.
Botou pé após pé numa bacia plástica com água morna.Uma delicia.
Lixava as unhas, lixava os calos.
Cócegas de arrepiar.
Untou as mãos com creme e 
começou a massagear
Movimentos de vai e vem
cantarolando nuvem de lágrimas
Ora puxava levemente os dedos
Ora apertava seu dedão na planta do meu pé
Mãos macias, quentes, habilidosas.
Uma delicia.
Naquele momento eu queria ser uma centopéia gorda
Queria ser todo pés
Aquele carinho me estimulava doces lembranças
Lembranças de quando caminhávamos
e você dizia que o atrito do pé molhado 
na areia da praia
era um trabalho 
da pedicuro natureza
Lembranças de quando eu dizia pra você,
que aqueles vai e vem das ondas eram reverências a sua beleza
Que aquele vento gostoso e quente nos seus cabelos
Era o meu amigo mar me ajudando 
dizer a você...
...eu te amo
E agora...
...quem está cantando nuvem de lágrimas sou eu.
Augusto Servano Rodrigues
Enviado por Augusto Servano Rodrigues em 24/08/2007
Reeditado em 02/10/2007
Código do texto: T622112

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Sobre o autor
Augusto Servano Rodrigues
São Paulo - São Paulo - Brasil, 69 anos
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Augusto Servano Rodrigues