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Ali Babá

Eu ainda recontava meus quarenta ladrões, quando as portas da democracia elegeram sua assembléia, ai passei a contar santos. Folheava minhas mil e umas notas de escândalos em Brasília, quando os contos do vigário se repetiam. Há um roubo, uma mulher, uma playboy e um livro de memórias. Não é esse o “cofrinho” que queremos ver. Não que não gostamos destes, mas sem trocadilhos infames, queremos ver o cofre dos 40 ladrões, julga-los seria o mínimo, no entanto temos que admitir uma reunião da cúpula judicial deste país, para decidir se aceita ou não denuncias contra estes acusados.
De certa forma, poderíamos romancear uma situação insólita, que parece querer ser real, como Pinocchio, que está em cartaz no teatro, em livros nalguma biblioteca, ou em qualquer entrevista de políticos. Vamos a estória.
“Um sujeito preso em flagrante, com uma faca na mão, todo sujo de sangue, sobre um cadáver fatiado, confessa o crime, mas é solto por falta de provas ou por que é réu primário e precisa de averiguação, pois ele é suspeito do crime”. Espero não ser real. Como diz um conhecido comentarista esportivo.
- Estão de brincadeira.
Agora dizem que o “mensalão” é ficção. Certamente. Nós, senhor advogado, sabemos que estás fazendo seu trabalho, mas fazer uma declaração destas é desrespeitar o povo brasileiro. Ficção é a educação, o salário mínimo, a saúde, saneamento, habitação, transportes, a moral e a ética deste país. Só para citar algumas urgências urgentíssimas, com pleonasmos e superlativos, usarei antes que sejam superfaturados ou desviados, e não precisar escrever uma bíblia desgraçada. Os estúdios cinematográficos ainda não descobriram as habilidades ficcionais de nossos políticos, ganhariam milhões, na arte de fazer ficções e interpretações dignas de prêmios da academia, nas suas teses defensivas ou negações veementes de suas posições, ou já sabem da capacidade mágica de desvios de verbas, e certamente não sairia filme. Precisamos do Mister M, de mensalão, para revelar estes truques.
Ainda levarão mais de seis anos para que nossa justiça processe alguém, se tiverem tempo entre uma mensagem e outra no bate papo. Hábeas Corpus sai mais rápido, às vezes antes da policia prender o suspeito, já tem relaxamento da prisão, incrivelmente negado a uma faxineira acusada de roubar uma margarina, uma misera, margarina. Antes tivesse se adornado com uma Land Rover. Caso clássico do prefeito de uma cidade Gaúcha que recebeu um hábeas, mesmo estando longe da cadeia. Nem sabiam que o camarada havia fugido, talvez, nem soubesse o que tinha ocorrido.
Ficção é ouvir um ministro dizer que faz sacrifícios para sobreviver com “apenas” R$ 8.362,00 (oito mil e trezentos e sessenta e dois reais), isso antes do reajuste de 28% (vinte e oito por cento) concedido em maio quando passou para R$ 10.748,43 (dez mil setecentos e quarenta e oito com quarenta e três centavos), até parece piada. Tem milhões de eleitores caro ministro, que estão implorando para sofrer no seu lugar, estes que recebem apenas R$ 380,00 (trezentos e oitenta reais), quando têm emprego. Agora se imagine, senhor ministro, ficar com seu “sacrifício”, R$ 7.982,00 (sete mil, novecentos e oitenta e dois reais) mais magro? Isso antes do reajuste. Ainda tem gente falando que este governo é comunista. Tem gente que não sabe o que é elite. Tem gente que nem sabe em quem votou. Tem gente que não sabe de nada. Tem gente que não vê nada.
Mais uma piada pronta. Um bando de siliconadas fúteis querem entrar no mundo da política. Onde tem muita bunda, vai dar... deixa para lá, já estamos atolados, vão pensar por ai, mas daqui a pouco vai trancar o nariz. A julgar pela escolha dos eleitores, poderemos afirmar, que não vai faltar bundas em Brasília, se ao menos sentarem nas cadeiras solitárias da casa do povo, vai faltar capacidade intelectual, além da ética que fugiu de lá há tempos, mas terá quorum. A corte vai se completando, o rei, a rainha, intocáveis no palácio, os príncipes ensaboados, as princesas gostosas (ops) fabricadas em laboratórios do vale do silício, e só com memória ram, sem hd, e o bobo, digo, povo a rir das próprias desgraças, que alegram aos imperadores. Por falar nisso, nem intelectual, nem analfabeto ou semi-analfabeto, vamos acabar sem opção.
Enquanto isso, na decisão de aceitar ou não aceitar, eis a questão, dezenove homens do Ali Babá, vão para o gancho, mas o chefe é unha e carne com os poderosos, logo eles estão com um “hábeas processus” para os fisgados. Abre-te de hábeas. Pronto, está aberta mais uma caverna da impunidade. Quero pegar logo minha nave para marte. Salve-se quem puder correr ou voar ou tem amigo do tribunal.
J B Ziegler
Enviado por J B Ziegler em 25/08/2007
Código do texto: T623789
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Sobre o autor
J B Ziegler
Gravataí - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
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J B Ziegler