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Meu Pequeno Cachoeiro

Meu pequeno Cachoeiroooooooooooooooooo!!!!
Não sei o resto da letraaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!

Pequeno, é verdade.

O que dizer sobre Cachoeiro? Ou melhor, o que uma pessoa da minha geração poderia dizer?
Não sei de vocês, mas eu nasci em um Cachoeiro um tanto moribundo, dilacerado pelas más línguas; uma Atenas desgraçada.

Me pego lendo textos apaixonados sobre a cidade - nostalgia, um prazer restrito aos moradores mais antigos. O rio era cristalino e mais amplo.As praças, mais arborizadas e, quem sabe, limpas; bonitas; frequentáveis. Havia cinema, teatro, música, literatura. Conversava-se com o vizinho pois não era perigoso e, preciso acreditar, o clima era mais ameno.

Hoje, olho para o rio e encontro ratos, além do colar verde-ferrugem que tenta suavizar o seu cheiro e eliminar dejetos. As praças, coitadinhas; mal acabadas, abandonadas pela manutenção ou destruídas pela prefeitura, esta que insite em trocar as plantinhas pelo bruto concreto - como se estivéssemos em condições de nos dar esse luxo.

Teatro? Caos... Eu que já fiz parte de uma peça teatral sei a dificuldade de se marcar ensaios ou de se conseguir a boa vontade de alguns. "Estamos ocupados" - então, vê-se ao fundo funcionários conversando aconchegados nas cadeiras, que beleza. Também é preciso mencionar a falta de incentivos dados aos grupos de teatro e o pouco prestígio que recebem, fato que é agravado pela escassa divulgação. As peças que fazem mais sucesso são as infantis, e adivinhem, os pais são os responsáveis pela ocupação da maior parte dos lugares.

A literatura, principalmente, foi entregada a Deus sabe quem. Nos vangloriamos dos antigos conterrâneos e nada fazemos para construir uma cultura cachoeirense concreta, que orgulhe, e que seja merecedora dos antigos artistas. Confesso, inclusive, que nada faço para mudar este quadro. Quase não leio, escrevo muito menos e não há possibilidades de uma futura publicação - ao menos que alguns se contentassem com tirinhas satíricas e poemas meia-boca.

Atualmente, Cachoeiro não é uma cidade que me faria falta, é o que penso. Mas não sei que feitiço a cidade tem que me desperta admiração e até um certo conforto. Talvez por ser pequena, por ser simples, por ser um pouco pobre e largada às baratas. Pode ser que no fundo eu seja um pouco assim também.
Fernanda Barata
Enviado por Fernanda Barata em 26/08/2007
Código do texto: T624362

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Sobre a autora
Fernanda Barata
Cachoeiro de Itapemirim - Espírito Santo - Brasil, 27 anos
32 textos (1520 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/10/17 07:26)
Fernanda Barata