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Os óculos e a perda

Um telefonema, uma relação que acabou.

Jogo a toalha. Estou cansada... Deixo escorregar pelas mãos a vida que nuca vou poder ter.
Olho pra minha casa e só vejo poeiras. Para os outros está limpíssima... 
Tento limpar o que não se vê.
As camisolas, caprichosamente arrumadas e cheirosas, vão ficar no fundo da gaveta.
Minha mesa traz o peso dos meus dias. Os óculos em cima da conta de telefone aumentam a lista de nossas conversas. Dezenas de celulares contando segundos de ligações não atendidas ou eternas meia-horas de frustrantes diálogos.
Perto das contas, o castiçal que enfeitou jantares, vídeos de tempos bons e jornais que se acumulam e não serão lidos.
Terminei o que nem comecei. Tentativas em vão de ser feliz. Audácia de ousar um amor que nasceu e vai morrer em mim.
Meu lugar agora é perto dos óculos que aumentam o valor das contas, 
que fazem crescer minha incerteza e meu descaminho.
Passo pelo interruptor, que esconderá meus sonhos, e apago as luzes. 
Preciso enxergar melhor... Vou colocar meus óculos, mas hoje eles só me dão a visão, não o rumo.
Amanhã pego aqueles jornais e jogo fora - serão reciclados. 
Minha vida também...
Leila Marinho Lage
Enviado por Leila Marinho Lage em 29/08/2007
Reeditado em 21/02/2009
Código do texto: T629035

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Sobre a autora
Leila Marinho Lage
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 59 anos
1086 textos (721019 leituras)
25 áudios (18967 audições)
153 e-livros (57058 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/10/17 19:28)
Leila Marinho Lage

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