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T E T R A N E T O S

 


Esta é uma Carta Aberta aos futuros tetranetos. Não sabemos se alguns (ou quantos) de nós os conhecerão. Eis o motivo de deixarmos registrado o que abaixa segue. O fazemos de maneira pública, pois o conteúdo é de interesse geral. Nossa intenção é nos posicionarmos no centro de um período referencial entre três e quatro séculos. Assim procedendo, vocês terão uma noção do que nós estamos fazendo com o que recebemos dos nossos tetravós, bem como em que condições repassamos o planeta Terra aos nossos filhos, netos, bisnetos até chegar à época de vocês.
Nesse tempo médio pretérito, acima referido, verdadeiras maravilhas nos foram legadas. A revolução industrial propulsou o surgimento das mais variadas máquinas. As descobertas nas áreas da Física, da Química, da Cibernética e em tantas outras, trouxeram-nos facilidades nunca dantes sonhadas. Assim mesmo, creiam, estamos numa época de barbárie. Em qualquer pesquisa vocês  poderão constatar que procedemos como verdadeiros idiotas com aquelas potenciais benesses recebidas. Nós estamos envergonhados. O que vocês estarão dizendo a nosso respeito? Como poderemos explicar que condenamos com veemência a escravidão ocorrida no Brasil Colônia e Império, se hoje permitimos que milhões de pessoas sejam escravas da miséria social e (in)cultural? Repudiamos a retirada desenfreada do Pau Brasil da nossa terra, mas vemos, incrédulos e inertes, os desmatamentos e as queimadas. Recebemos os nossos rios balneáveis e piscosos. Muitos hoje são imensas cloacas.
Mas, queridos tetranetos, se todos esses descaminhos que ainda nos fazem bárbaros, concomitante desenvolvidos, forem uma longa e histórica enfermidade, alegra-nos registrar que a terapia existe. Esta é (e será) igualmente longa e, se vitoriosa, também histórica. O processo lembra os princípios homeopáticos. Não precisamos liquidar as poucas células ruins. Necessitamos, isto sim, fortalecer as incomensuráveis células boas, que estão fracas, capacitando-as para que, naturalmente, saibam extirpar as más. Chamamos a isso de “o fato de pensar e ensinar”. E é dos pensadores e professores, que se tornam escritores (poetas ou prosadores), que dependemos cada vez mais para erradicarmos essa doença que ainda nos assola, qual seja, a falta de cultura e, em conseqüência, de educação humanitária.
Que as gerações sucedâneas dos signatários desta missiva entreguem uma forma de vida mais inteligente. E que vocês, tetranetos, possam conservá-la e desenvolvê-la. Claro está, se as ogivas nucleares acumuladas por nós não explodirem com tudo antes.
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 30/08/2007
Código do texto: T631280
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
163 textos (23648 leituras)
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Cláudio Pinto de Sá