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DESAFIOS

"Quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém"

Ah, Vinícius! O grande poeta dos sentimentos desafiadores do homem. Ontem estava ouvindo essa música e fiquei pensando que esse é um dos fatores que mais nos atemorizam no decantado amor.
Calma! Siga lendo, porque não vou ficar em uma argumentação que já foi repetida à exaustão em que pese seja necessária como advertência e como constatação. Foi nessa perspectiva, da constatação, que motivei-me a escrever essa crônica.
Existe uma frase, sei que li em algum lugar mas não me lembro ontem, dizendo que "o amor não cansa". Pois é! Pensando nisso me vem à mente um exemplo no qual quero plasmar o meu amor, a minha afetividade, um caso que acompanhei indiretamente e que encheu (como segue enchendo) meus olhos de lágrimas de admiração e uma certa comoção.
Digamos que chamavam-se Maria e Carlos. Carlos é um senhor de setenta anos e Maria um pouco mais nova, na verdade, uns dois a três anos a menos que ele.
Dava muito prazer vê-los juntos! Lembro-me quando meu casamento balançou e ruiu tive uma pontinha de inveja (se bem que não é esse o termo) deles! Estavam sempre juntos e mesmo sabendo que deveriam ter seus conflitos e brigas, eram solidários, sempre preocupados um com o outro, amigos mais que amantes, seres de alguma outra espécie.
Isso ficou evidente quando Maria teve um derrame cerebral que acabou por afetar um lado do corpo, paralisando-lhe irremediavelmente os movimentos.
Mesmo em face dessa verdadeira tragédia, Carlos jamais deixou de cuidar de Maria, de emprestar-lhe um brilho que ela já não tinha.
É inesquecível a imagem deles chegando para o tratamento de Fisioterapia, ele todo cuidadoso, atento, sempre ao lado dela para o que desse e viesse. Não regateava esforços, limpava a boca de Maria que às vezes umidecia-se em excesso, dava todos os cuidados, sem cansar.
Se amor existe (e sei que existe) é isso, manifesta-se nesses momentos. Como as amizades verdaeiras, elas aparecem nos momentos de dor física, emocional, afetiva ou qualquer outra espécie que exista. Amor de bonança é castelo na beira da praia que os vergalhões da vida acabam por levar.
Finalmente, dia desses, o coração de Maria parou, resgatado ao grande coração do mundo. Fui ao velório: Carlos chorava pouco, acredito que chorávamos mais do que ele. Não poderia censurá-lo como creio que ninguém o faria. Acredito , piamente, que Carlos feizera o balanço final e concluíra que cumpriu integralmente sua missão para com sua amada.
Caminhar lado a lado, ombro à ombro, solidariamente exige muito de nós. Exige uma renúncia só menor do que o amor de mãe mas sem o qual não se constrói coisa alguma. Talvez Maria e Carlos me sirvam de alerta, advertência mas servem substancialmente como luz, uma luz que brilha eternamente e faz com que ambos sejam eternos mesmo quando os dois não mais estiverem na face da terra.
Eternidade é construída de desvelos e é através dele que o mundo será melhor do que antes de nós! Que assim construamos nossas vidas!
É isso!
André Vieira
Enviado por André Vieira em 31/08/2007
Código do texto: T631990
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Sobre o autor
André Vieira
Piracicaba - São Paulo - Brasil, 52 anos
64 textos (8836 leituras)
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André Vieira