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Todo fumante é um chato

              (Você não vai encontrar nessa crônica frases anti-tabagistas, garanto).
             Estou precisando desabafar, isso sim. Eu não agüento mais a sociedade dos fumantes. Todos são chatos – menos eu, creio. Mas... Ô classe incômoda, viu? Acho que não existe ninguém mais impertinente que os fumantes – principalmente para os próprios fumantes.
             (Se você é fumante, por favor, leia esse texto até o final. É preciso que você saiba da sua própria chatice).
             A começar que todos os fumantes acham que são amigos (dos outros fumantes, é lógico!). O cigarro – para esses malas de galochas – é um elo de amizade descoberta em meio a uma profunda tragada. Todos acham que a irmandade impera na classe. Talvez pelo preconceito gerado por aqueles não-fumantes-saudáveis, os fumantes se julgam no direito de atormentar as outras pessoas fumantes.
             Isso geralmente acontece na porta do banheiro de um bar, por exemplo. Você está lá, esperando a namorada sair do banheiro e acende um cigarro. O chato está lá também, como sempre. Então, ele acende um cigarro e começa a puxar conversa como se vocês fossem grandes amigos de infância que acabaram de se encontrar na porta daquele banheiro. Chato!
             (Se você é fumante, por favor, continue lendo essa crônica e analise o seu próprio comportamento).
             Esse chato também é comum quando você resolve dar um tempo no trabalho para descer até o jardim e fumar um cigarrinho. Você quer, simplesmente e unicamente, livrar-se por algum momento da tensão, relaxar um pouco. Ou seja, quer fumar sozinho, em silêncio. Mas você nunca consegue fazer isso. Sempre vai encontrar aquele cara chato (que, quase sempre, não é do seu departamento) que vem com aquele papo de que “o cigarro é bom para aliviar o estresse”. Argh! Ele só quer puxar conversa – e lógico, te deixar ainda mais tenso.
             Tem também aquele sujeitinho folgado (e esperto) que desce para fumar e não leva o isqueiro de propósito. Assim ele pode pedir um emprestado, o que fica mais fácil de dar início à conversa. Aconteceu isso comigo há poucos dias. Eu estava lá fumando – buscando a tranqüilidade – quando um tipo desses chega e me pede o isqueiro (na realidade ele nunca pede o isqueiro. “Colega, me empresta o fogo?”). E nunca pára de falar. Quando pára, diz que precisa ir embora e acaba carregando o meu isqueiro. Esse é do tipo fumante-chato-mão-leve.
             (Se você fuma, pode falar: está se identificando com alguma dessas situações?).
             E antes que eu me esqueça! Não posso deixar de falar do fumante-me-dá-um-cigarro. É do tipo fumante por hobby que pede o cigarro para tentar ficar amigo. Você encontra essa espécie em rodoviária, estação de metrô (do lado de fora, claro). O cara nunca tem cigarro. Nunca mesmo. Mas, se avista alguém fumando tranqüilo com cara de poesia ao longe, logo chega e pede – na maior cara-de-pau do mundo – o seu cigarro. E o problema é que, além de “emprestar o fogo” (aliás, quando vou receber esse fogo de volta, né?), o simpático fumante fica lá, ao seu lado, conversando, conversando, conversando...
             (Se você é fumante, seja sincero: exagerei?).
             Porque agora eu vou lá fora fumar. Ainda bem que estou sozinho e ninguém vai aparecer para me atormentar. Espero.
Vinícius Novaes
Enviado por Vinícius Novaes em 01/09/2007
Reeditado em 02/09/2007
Código do texto: T634120
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Sobre o autor
Vinícius Novaes
São Paulo - São Paulo - Brasil, 34 anos
65 textos (17672 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/08/17 02:41)
Vinícius Novaes