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Não tenho mais afinidades

Maria Antônia Canavezi Scarpa
 
Afinidade, quantos sinônimos podemos dar para essa palavra, ínfimas : combinações, semelhanças, parentescos, tendências, ideais, relações ; uma gama imensa delas, que poderiam gerar uma grande odisséia lingüística; no entanto, hoje, eu só quero discorrer sobre a afinidade de alma, de sentimentos, de companheirismo, de reciprocidades.

Quanta falta tem feito, essa parceira de todas as horas, já que houve uma grande mudança nos hábitos e a cláusula gostosa de avaliar temperamentos, deixou de existir, foram-se as conversas equilibradas, quando se expunha os prós e contras de cada um,  de uma forma cortes, existe agora no lugar das ponderações, discussões com uma voz em tom mais alto, tornou-se ardida, passou a ser imperiosa, senhora de todas as atitudes.

Os temperamentos passaram a ser o marco para a soberania e não se tem mais subterfúgios, como alterar esse diálogo, porque os impropérios neutralizaram a razão, deixando o bom senso a ver navios. Perda de controle da nau faz-nos perceber que a vida vai se afogando nas ondas gigantes da discórdia.

Se não cedermos o que partilhamos nessa guerra, nessa luta sem armas, outrora repleta de afinidades, o que vai acontecer é ... que faíscas, explodirão quando ficamos frente a frente com o desafeto, colocando o dedo em riste um no nariz do outro.

 Foram muitos anos de lindas e brilhantes escolhas, essenciais para um rumo bom e pleno de calmaria, mas as inconseqüentes atitudes de ambos os lados, colocaram por terra qualquer conversação serena e construtiva.

Invoca-se a todo momento a lucidez, -  por que  ela deixou as coisas chegarem a esse plano angustiante, que expõe a insensibilidade voraz das relações , quando estão divididas. Nada é mais oportuno para quando o estágio assim se apresentar,  que precisamos rever conceitos, qualificar que uma vida sem afinidades é como uma moeda de duas faces negras. Seja para qual lado ela cair os tempos permanecerão difíceis.

Antes havia mais força em não cair nas tentações, como se o tempo colocasse-nos a mercê das escolhas e na hora de decidir qual roupa vestir, a opção seria a que melhor nos deixassem serenos; para não corrermos o risco de passarmos vexames. Hoje parece que nada disso mais, tem importância.

A graduação do correto perdeu o senso e nem se fala mais em afinidades, mas sim de possibilidades, eventualidades, o que tiver que ser será. Não era assim que se esperava de uma boa relação e um melhor resultado.

Ainda que demore uma eternidade, já que o terreno está escorregadio e adverso, uma bandeira precisa ser desfraldada com urgência; nela deverão ser escritos todos esses sentimentos perdidos, para que o vento ao faze-la tremular espalhe as boas novas, até que em algum ponto sereno a voz da razão seja ouvida e quantas lições se fizerem necessárias, devem e  precisam ser divulgadas. Todas elas terão que conter um item de apoio, pela restauração plena ,do verdadeiro sentido da palavra  e ação : - Afinidades. Não precisa ser alma gêmea, apenas o anseio de partilhar o saber ouvir e o saber calar, já é uma grande conquista,pensar nesse valor como um quadro raro, que precisa apenas de uma leve limpeza, para que todos os tons fiquem novamente em harmonia.

Afinal, quando os tons combinam e estão polidos, ocorre plenamente,uma grande afinidade.

agosto/2007
Tília Cheirosa
Enviado por Tília Cheirosa em 01/09/2007
Código do texto: T634479

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Sobre a autora
Tília Cheirosa
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 64 anos
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Tília Cheirosa