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Noite sem Estrelas

                                                                              In memory

Não houve criatura que viesse dizer que seria fácil. Seja ela pessoa, ser imaginário ou fantasia. Ninguém conta aos filhos que um dia andarão os caminhos bem mais solitários. Como uma tempestade que se forma do nada, varre as ruas, os brejos, os cantos do nosso coração.

E então, vai - nos a luz dos olhos, o calor no peito e, ainda mais uma vez, nos vemos sem um mapa como guia. Pais e mães poderiam não viver para sempre, mas serem estrelas em noites sem luar.

A menina dos cabelos negros como as nuvens de chuva nos dias de verão se perde em muitas noites sem luar a procura de uma estrela que a guie, a estrela que falta nos dias limpos de primavera e nos dias frios de inverno.

Pensa nos sorrisos, mas, não sabe o que há, aos poucos já não os encontra mais. Você os perdeu aonde mesmo? Pulsa no peito a lembrança de alguma coisa que os sentidos não encontram imagem. Fica a presença que se foi. Fica perdido como os bilhetes de loteria não reclamados, como as folhas que o vento leva no outono.

As sombras que levaram o sol jamais encontrarão sossego, porque aqui, aonde os dias nascem sempre, mesmo depois de noites sem estrelas, não há paz para quem nos leva as flores da primavera sem nos pedir. Sem nos avisar da chegada do inverno. Frio que gela o corpo, os sonhos e nos tira a alma aos pouquinhos.

Contudo, a menina dos cabelos negros como as nuvens de chuva nos dias de verão não perde de vista as nuvens lá do céu. Há de um dia desses deixarem mostrar num deslize a estrela que procura. A mais especial. A que foi tirada sem consentimento, sem perguntas e sem direito a réplicas.

Quando a cabeça descansa sob o travesseiro todas as noites, o corpo inquieta-se. Ainda está só. Ainda procura. Ainda pede. Longas as noites dessa eternidade sem fim.

Instantes roubados de tempos que jamais voltarão. Dias que não foram vividos. Uma mente sem lembranças, casas vazias, ruas varridas pelo frio e pela chuva que tanto amava.

Num nevoeiro qualquer procura um encontro. Mas encontros com estrelas que não podem ser vistas, não são possíveis. Esse não é o mundo dos contos de fadas. Não há borboletas e os jardins estão imersos na escuridão de uma noite sem luar.

Isadora Pitanga
Enviado por Isadora Pitanga em 01/09/2007
Código do texto: T634558

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Sobre a autora
Isadora Pitanga
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 36 anos
74 textos (8625 leituras)
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Isadora Pitanga