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NEM JOSÉ DE ALENCAR E NEM CASTRO ALVES

Dia 25 de agosto fui levada a passear no Alto da Tijuca, a única cena que me veio a mente foi a de Castro Alves em companhia de José de Alencar, quando por ocasião do infeliz incidente do tiro que o fez perder o pé por causa da gangrena.
O meu dia foi maravilhoso, não sou Castro Alves também não fui conduzida por Alencar e graças a Deus não houve incidente e nem tiros, porque afinal de contas o Rio de hoje é uma violência só, se tivesse acontecido tiros, teriam sido dados pelos traficantes e não por mim mesma que não gosto do manejo de armas.
Afinal, meu passeio foi feliz, com direito a sentar em cadeiras onde  figuras de relevância do passado talvez tenham tomado o chá das cinco, em tempos modernos tomei coca-cola e pude apreciar do pouco que ainda resta da natureza, com direito a sonhar e fazer pedido a uma boa fada do bosque dedicado a elas naquela floresta maravilhosa.
Em meio a tão bela paisagem vislumbrei ipês roxos floridos, respirei o ar da vida, o ar supremo de uma divindade sagrada que invadiu meus pulmões e me deixou em estado de graça até hoje.
Poderia omitir o ipê florido de roxo, afinal essa cor tem recorrência ao fúnebre, mas prefiro levá-la assim como o Aurélio para o lado  da paixão mais louca e escrevi esse pequeno trecho para exprimir um encanto peculiar que há muito não sentia, para expressar que ainda é possível olhar e ver, que nem sempre o tempo mata esse poder em nós.
Esse passeio me fez perceber que ainda não ceguei para as belezas da vida, para as belezas  camufladas no Rio de Janeiro pela violência, também descobri que além de ver, continuo viva e que a vida ainda vive em mim e tem tido alguma intensidade e alguns rompantes de felicidade, o que é melhor de se escrever, e que o medo de viver num lugar assim, com pessoas em sua maioria cismadas o tempo todo não tirou de mim esse prazer de apreciar nos pequenos momentos os gestos da maior expressão de um amor natural.

Soliana Meneses
Enviado por Soliana Meneses em 02/09/2007
Código do texto: T634755

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Sobre a autora
Soliana Meneses
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 44 anos
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Soliana Meneses