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Seleção Brasileira Feminina de Futebol

Ecos do PAN...
      SELEÇÃO BRASILEIRA FEMININA DE FUTEBOL
      Tanto quanto possível e de modo geral acompanhei, pela Televisão, a disputa das várias modalidades esportivas dos jogos Panamericanos, na sua XV edição e realizada no Brasil, neste ano de 2007.
         Não pretendo, aqui, analisar o desempenho individual ou coletivo da participação dos atletas nesta ou naquela modalidade. Meu objetivo é relatar algumas constatações observadas nas disputas das partidas de futebol pela Seleção Brasileira Feminina de Futebol.
         Antes de entrar no mérito da competição, quero fazer um pequeno relato da evolução histórica do futebol feminino no Brasil.
         Desde os primórdios do futebol feminino no Brasil, quando houve o primeiro Campeonato nesta modalidade, observou-se um grande obstáculo ao desenvolvimento dessa modalidade esportiva: o preconceito de que futebol era um esporte apropriado apenas para homens. Aqui e ali, nas conversas de rua e de botequim, onde quer que o assunto fosse discutido, a sentença era sempre a mesma:
esse esporte não é coisa para mulheres. O preconceito era tão grande a ponto de atingir a quase unanimidade. Até quem era a favor tinha receio e vergonha de manifestar sua opinião.
       Mesmo assim prosseguiu o Campeonato, sem entusiasmo, sem alegria, sem estímulos e sem Patrocinadores, bancado apenas pelos Clubes que o organizaram.
       Nenhuma Emissora de Televisão se dispunha a transmitir os jogos que eram realizados em dias e horários inadequados para o público. Apenas e tão somente a Rede Bandeirantes de Televisão transmitiu os jogos e arriscou todas as suas fichas buscando o sucesso desse Campeonato. Mas não foi o suficiente.
       Todos sabemos que a vitória sobre um preconceito demanda muitos anos de lutas e não se consegue sem grandes e diuturnos embates e discussões
        Como conseqüência desse arraigado preconceito e rejeição por aquilo que era ainda novidade, o Campeonato terminou de maneira melancólica, sem entusiasmo e sem o sucesso esperado.
        Sem qualquer resultado positivo do Empreendimento e desestimulado pela falta de apoio do público e dos Empresários, os Clubes simplesmente dispensaram todas as jogadoras. Desempregadas e sem qualquer perspectiva de prosseguir e evoluir na carreira que tinham escolhido, as atletas voltaram para suas casas e para seus antigos afazeres, sem nenhuma esperança de dias melhores.
       Mas o fracasso do primeiro empreendimento não acabara com o sonho daquelas jogadoras que sabiam o que queriam, e convictas do próprio valor, investiram tudo na própria carreira, buscando novos caminhos. Foram para outros Países onde a modalidade já estava mais desenvolvida e ali foram reconhecidas e alcançaram notoriedade.
      O tempo foi passando, as mentes sendo esclarecidas, e as mulheres que nunca desistem frente às dificuldades encontradas, finalmente conseguem se impor e tornarem-se reconhecidas como jogadoras de futebol.
       Outros Países organizam Campeonatos, a Fifa reconhece o futebol feminino e organiza um Campeonato Mundial de Futebol Feminino e até o Comitê Olímpico reconhece e inclui essa modalidade esportiva no seu Calendário.
        A Seleção Feminina de Futebol do Brasil não vencia as Americanas a oito partidas, muito embora tenha sido medalha de Prata em Atenas, em 2004, ao ser vencida pelas Americanas.
        Embora desconheça o nome da jogadora que liderou o movimento, o fato é que uma delas conseguiu convencer e unir as atletas em torno de um mesmo ideal e propósito: Vencer o Campeonato e ganhar a medalha de ouro.
        Prova desta decisão foi a “Cartilha”elaborada pelas próprias jogadoras, onde havia, por escrito, a forma disciplinar de conduta de cada atleta, antes e durante a competição. Todas se uniram em torno de um objetivo comum: ganhar a medalha de ouro do futebol feminino do PAN.
       Unidas e encarando cada partida como se fosse a decisão do torneio, venceram e convenceram, em todas as partidas que disputaram.
        Foram 6 (seis) jogos disputados e brilhantemente vencidos de maneira categórica e insofismável. Os placares dilatados alcançados não deixaram dúvida. Foram 33 gols marcados em seis jogos, com a impressionante média de 5,5 gols por partida, sem sofrer nenhum gol das adversárias.
        Mas, por que aconteceram tantas vitórias maravilhosas e indiscutíveis?
--Porque o grupo estava totalmente unido e decidido a vencer e buscar a medalha de ouro. Já não importava a melhor atuação desta ou daquela jogadora, mas a luta e a aplicação de todas as onze jogadoras, de maneira conjunta e solidária, buscando o objetivo comum de vencer.
        Mas não foram só os placares elásticos que impressionaram, mas a forma de jogar com  garra, aplicação e determinação de vencer todas as partidas. Simplesmente não permitiram que as adversárias jogassem. Parecia um rolo compressor esmagando tudo o que vinha pela frente. Durante todo o tempo regulamentar das partidas buscavam sempre o gol das adversárias, sem nunca pensar em gastar o tempo e segurar o resultado positivo até então conseguido.
        Atuando dessa maneira, o resultado foi apenas uma conseqüência natural e totalmente previsível.
Diante de tão maravilhosos resultados, não cabe aqui nenhum comentário sobre a atuação individual de cada jogadora, mas é uma questão de justiça destacar e elogiar a atuação primorosa, aguerrida, disciplinada e de conjunto apresentado durante toda a competição.
       Assim  a Seleção Brasileira Feminina provou ao público, aos Empresários, aos Dirigentes e a todos os amantes do futebol arte e de resultados, que o “ Futebol Feminino” é viável sim, no Brasil e no mundo, tanto técnica, social e financeiramente.
 
     
Narciso de Oliveira
Enviado por Narciso de Oliveira em 02/09/2007
Reeditado em 16/08/2010
Código do texto: T635627
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Sobre o autor
Narciso de Oliveira
Campinas - São Paulo - Brasil, 83 anos
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