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               O santo dos cervejeiros

       
Os livros de auto-ajuda trazem títulos que geralmente despertam a curiosidade de muita gente.  Quem, por exemplo, não deseja saber quais são Os 100 segredos das pessoas felizes? Ou conhecer A arte da felicidade - Um manual para a vida?
        Embora tenha por esses livros muito  respeito, confesso, que por eles ainda não me apaixonei.  Fujo desses livros, como o diabo foge da Cruz. Até o momento em que escrevo esta crônica, não tenho uma explicação que possa justificar essa aversão, que é antiga.

       Como qualquer pessoa, também tenho meus momentos de dúvidas e de ansiedade.

          Atravessando uma dessas borrascas, fui aconselhado a procurar um psicólogo. E socorri-me de um deles.
       No seu acolhedor consultório, falei, falei, falei... De  lá  saí sem as respostas para minhas mais cruciantes dúvidas e explicações para os meus mais urgentes questionamentos sentimentais! 

          Aliás, fora antes avisado de que os nossos abnegados psicólogos, nas suas intervenções, ouvem mais os clientes do que com eles conversam.
      Mas, naquela tarde, eu queria  era um papo descontraído, um diálogo fluente e franco.  E não ser, apenas, ouvido e observado em um cansativo monólogo, que durou mais de uma hora.

      O psicólogo, que me cobrou honestos e robustos honorários, gastou inúmeras fichas, fazendo secretas anotações. A elas não tive acesso!  E pouco me disse na hora em que lhe perguntei: E agora, doutor?
Para ser cortês, deixei o divã, prometendo um dia voltar. 

      Mas é assim mesmo.  Enquanto uns se satisfazem lendo ou ouvindo conselhos dos terráqueos, eu, nas minhas ansiedades e preocupações, peço ajuda aos céus. E aí entra a figura do querido santo padroeiro.

          Todos os pedidos de socorro que, até agora, tenho feito àquele que elegi como meu santo protetor, me têm sido deferidos. 
       O negócio - e aqui vai uma dica - é não abusar. Os santos também se chateiam;  eles não gostam de devotos pegajosos e exageradamente pidões...

        E por falar em padroeiros, como bem sabe o leitor, existem oragos para todos os gostos. 

              Assegurei-me disso, lendo Os Santos - Quem são e como nos ajudam. É um livro delicioso, mas muito caro. Não hesitei, todavia, em adquiri-lo; custou-me um pouco mais do que uma pizza grande e um bom vinho, numa cantina chique de Salvador.

        Alguns desses padroeiros, a gente conhece de sobra: Santo Tomás de Aquino, padroeiro dos acadêmicos; Santo Ivo, padroeiro dos advogados; Cosme e Damião, padroeiros dos médicos; Santa Apolônia, padroeira dos dentistas; 
        Francisco de Assis, padroeiro da Ecologia; Santa Clara de Assis, padroeira da televisão; Santa Mônica, padroeira das esposas; o Arcanjo Gabriel, o "mensageiro de Deus", padroeiro do rádio.

        Aprofundei-me na história dos santos. E descobri um padroeiro que me chamou a atenção.
 
          Ele nasceu no condado checo da Boêmia, em 907. Em setembro de 929, foi assassinado pelo irmão, Boleslau, depois de uma trama que envolveu, inclusive, sua mãe! 
         Está enterrado no interior da catedral de São Vito, a  mais bela igreja de Praga.

          Refiro-me a São Venceslau, um homem cheio de virtudes e, pelo que dizem os livros, um abstêmio, apesar da excelente cerveja que sua região fabricava e servia.
          Muito populares, ele e a cerveja da Boêmia, o povo, sabiamente, o nomeou padroeiro dos cervejeiros.
          Consultei o Houaiss e o Aurélio. Ambos me informaram, que cervejeiro, tanto pode ser quem produz a "loirinha", como aquele que a escolheu como sua bebida preferida.
          Coincidentemente, sou um deles. 
      Quando me falta a cervejinha do fim de semana, recorro imediatamente a São Venceslau.  E logo sou atendido!

        

        



        

       
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 02/09/2007
Reeditado em 13/09/2013
Código do texto: T635830
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Sobre o autor
Felipe Jucá
Salvador - Bahia - Brasil
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Felipe Jucá

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