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Repensando o ontem, vivendo o hoje e preparando o amanhã

Tendo em vista as diversas formas de abordagem do tema, o mesmo nos remete a uma pausa para reflexão, para ouvirmos o que o nosso coração tem a dizer de forma honesta e clara. É preciso pararmos para entender como funciona nossos sentimentos, desejos e padrões de comportamento.
Todos nós guardamos uma centelha divina, cujo nome é dado segundo a crença de cada um. Pode ser Deus, eu superior, energia cósmica ou anjo da guarda. Quem se conecta a essa energia encontra dentro de si um rico potencial de autodescoberta, que nos leva a tomar atitudes mais equilibradas, ou pelo menos mais conscientes. O resultado é o bem-estar físico, emocional, mental e a capacidade de autocura dos males do corpo e da alma. Há uma frase imortalizada por Sócrates que define essa busca: "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os deuses".
Mergulhar no túnel do tempo e rever expressões e valores que de alguma forma fizeram ou ainda fazem parte de nossas vidas, certamente nos motiva a interagir com o supra sumo da qualidade de vida num cotidiano tão banalizador e massificante quanto o nosso. É enriquecedora toda e qualquer manifestação de resgate de valores que traga a paz nas relações, que é um dos fatores determinantes de felicidade. E lidar bem com o amor, os filhos, o seu vizinho, o seu igual ou desigual, os amigos e a natureza, é um desafio diário, que nos convida a pôr em prática nossos melhores valores.
As sociedades humanas encaminham-se irrevogavelmente para uma finalidade que não tem nenhuma relação com a imagem de seus começos. Diariamente somos bombardeados com uma nova ferramenta tecnológica. Muitas vezes, nem nos inteiramos direito com uma, e já existe outra para ser assimilada. Essa pressa tende a robotizar o indivíduo, como também a torná-lo egoísta, insensível, superficial e descartável. Paradoxalmente, esse rítmo cada vez mais frenético da mudança, não se poderia negligenciar uma avalanche de emoções e de buscas de caráter estético e sentimental ao mesmo tempo, que parece cada vez mais ligar-se aos restos, aos destroços recuperados de um passado ainda surpreendentemente próximo.
O contato com um passado prazeroso nos permite escapar à vida apressada de hoje. A ilustração fotográfica, por exemplo vem, na maioria das vezes, confirmar o sentimento de um convite à regressão no tempo. É a evocação nostálgica de uma espécie de felicidade desaparecida e que exprime a expectativa de seu retorno.
Há o tempo presente que é de uma degradação, de uma desordem, de uma corrupção das quais importa escapar. Há, por outro lado, o "tempo de antigamente" e que é o de uma grandeza, de uma nobreza ou de uma certa felicidade que nos cabe redescobrir.
No Brasil há uma degradação de manifestações como as intelectuais, folclóricas, artísticas das mais diversas áreas, infantis, éticas, morais, políticas, etc... Nossas televisões são invadidas por baixarias e dezenas de programas idiotizadores, que em nada contribuem para o desenvolvimento humano em qualquer segmento. Tudo pela audiência e lucro financeiro junto aos patrocinadores. Nas emissoras de rádio, o famoso "jabá" pago pelas gravadoras, nos obriga a ouvir todo tipo de lixo. Isso constitui um verdadeiro atentado contra o nosso aparelho visual, auditivo, e também agride o sentimento de quem prima pela qualidade e acredita na arte.
Para o mundo ocidental moderno, a globalização é uma questão estratégica para o desenvolvimento econômico. E como fica o desenvolvimento humano? E os valores individuais? E os valores sócio-culturais? A resposta a essas questões, na verdade não caracteriza uma ruptura, confronto irredutível entre os poderes da nostalgia e os da esperança, mas complementaridade. Os valores perdidos, uma vez evocados, são necessariamente valores redescobertos. A lembrança é chamada a vencer as sombras do esquecimento.
A vida está em constante transformação, e aproveitar cada uma das fases é a chave para ter alegria constante.
Para viver bem é fundamental encontrar um ponto de equilíbrio entre satisfazer as inúmeras demandas exteriores, que obedecem o tempo cronológico, e as necessidades que regulam o tempo interior, pessoal e emocional. É bacana estabelecer prioridades, e a tolerância tem o poder de transformar realidades e unir pessoas.
O exercício da tolerância inclui, em primeiro lugar, o respeito ao outro. Isso não significa concordar incondicionalmente com o que está sendo dito, anular opinião própria ou se submeter ao que nos violenta ou faz mal, como assistir ao programa do João Kleber, por exemplo. A tolerância nos permite considerar que existem diversas formas de olhar para a vida, outras maneiras de ser ou vários tipos de ideal ou valores. Opiniões diferentes das nossas não significam necessariamente, uma afronta pessoal. Admitamos que haja uma multiplicidade de escolhas.
A educação é o meio mais eficaz de criar uma cultura de tolerância de valores. O acesso à educação também desenvolve o senso crítico para recusar a intolerância e o preconceito que podem estar presentes nos meios de comunicação, na família ou no ambiente social.
Para finalizar, eu acrescento ainda que a auto-estima tem muito a ver com o que realizamos, com o que queremos realizar e, sobretudo, o que devemos resgatar para o nosso aprimoramento como seres individuais e coletivos. É uma reforma íntima. Temos muito que aprender e apreender. Quando algo chega ao fim, é a manifestação da vida seguindo seu caminho, pois todo fim anuncia um novo começo. Na estrada da vida, o importante é seguir em frente, libertos daquela certeza cartesiana, mas firmes na edificante dúvida socrática.
Cátia Paiva
Enviado por Cátia Paiva em 26/10/2005
Código do texto: T63711
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Sobre a autora
Cátia Paiva
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Cátia Paiva