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VALE A PENA LER DE NOVO

No noticiário do SPTV do dia 24/10/2005, que informava sobre o corredor literário implantado na avenida Paulista, uma pessoa que não identifiquei, bradou do alto de sua sabe -doria: “Livro não é remédio, é prazer.” Não estava total -mente errado, mas foi muito simplista: livro é muito mais que isso. Os livros de Nietzsche criaram Hitler, os super heróis americanos; os de Marx e Engels a União Socialista Soviética; uma “pequena “ amostra do poder dos livros. Es-creveríamos um livro descrevendo o poder dos livros, o que Mao Tse Tung conhecia muito bem, por isso mandou queimar milhares deles para dominar a China.

Poucos sabem, mesmo aqueles que deveriam saber, que a solução para o desinteresse da maioria dos jovens para o estudo está na Literatura. Ela deveria ser insistentemente incentivada; ensino obrigatório a partir do momento que a criança aprenda ler. A leitura intensa de bons livros aumenta o horizonte da mente , gera neurônios, ativa sinapses. Auxilia diretamente no aprendizado de outras matérias, inclusive matemática e física. Quando fiz cursinho no Objetivo na avenida Santo Amaro, nos testes de redação, os alunos da área de Exatas obtinham resultados muito melhores que os de Humanas. Qual a explicação para este fato? O meu entendimento é que os alunos que liam muito, se davam muito bem com as ciências exatas - a razão de escolherem carreiras nesta área – e redigiam melhor. Os que liam pouco, ou quase nada, não tinham afinidade com as Exatas, pendiam para as Humanas, e conseqüentemente a redação era lastimável. Salvo exceções.

A leitura - palavras cruzadas - é indicado para idosos na prevenção do mal de Alzheimer e a senilidade, com ótimos resultados. A literatura, embutido da obrigatoriedade da leitura de  seus melhores livros, é uma “ciência” , que deveria ser adotada como terapia cultural pedagógica. Livro é remédio sim, cultural: sem contra indicações, mas com efeitos colaterais.

O povo brasileiro, antes do golpe de 1964 – causado pela irresponsabilidade do presidente Jânio da Silva Quadros, que renunciou alegando forças ocultas, que na verdade eram devaneios de um egocêntrico inconseqüente – lia muito mais, portanto mais culto e potencialmente mais inteligente.Dos atos militares, tudo pode ser perdoado, menos o que fizeram com a cultura brasileira.As diretrizes de ensino foram adulteradas para enfraquecer a Educação.Na minha faculdade de Química tinha a cadeira de Física Pura e não tinha a de Físico-Química. Aniquilaram a classe pensante oposicionista, exilaram, prenderam, subjugaram, castraram, rotulando-a de perigosa em nome da ameaça, que hoje sabemos irrelevante, de destruição da democracia.Nos livraram de uma pseudo ditadura de esquerda e nos impingiram com uma de direita: terrível,  inculta, injusta, impopular, imprópria, durante longos vinte e tantos anos.Da cultura florescente dos anos 60, anos dourados, só restou pétalas secas, sem cor, sem vida. Por isso: vale a pena ler (muito) de novo.
CARLOS AFFONSO
Enviado por CARLOS AFFONSO em 26/10/2005
Código do texto: T63809
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Sobre o autor
CARLOS AFFONSO
São Paulo - São Paulo - Brasil
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