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O oposto de mim mesma


Questionamentos ficam aqui perdidos nessa mente ainda tão imatura.
Minha alma de mulher com suas crises de abstinência de alguns outros EUS que por vezes ficam renegados por opostos.
O dia amanhece... E hoje acordo querendo ser aquela mulher forte, decidida, segura de si, que sabe exatamente que caminho seguir... Aquela que pensa com a razão, se mantém lúcida e não se deixa abater por sentimentalismos.
Mas paro! Olho em torno de mim mesma e vejo que engano-me. Não acordei sendo essa...

Hoje sou seu oposto!

Uma menininha frágil, insegura... Que estende a mão esperando que alguém a segure e carregue por caminhos mais firmes, que mesmo com passos descompassados não a deixe cair.
Que dê aquele abraço forte, onde possa sentir a certeza que tem alguém que não deixará a solidão lhe assolar.
Esse alguém faz cair por terra suas armaduras e assim aflora tudo que internamente é.
As lágrimas que até então só rolavam escondidas naqueles encontros com eu mesma, agora se libertam sem receio de palavras ríspidas, de olhares penosos e opiniões que exaltariam a condenação de sua fraqueza.
Sim! Diante desse ser me dispo daquele envolto sólido que não deixava transfigurar algo tão genuíno como uma simples lágrima.
Com ele choro feito uma criança e entre soluços minha voz trêmula pede perdão por tal cena.
Você com teu olhar masculino e viril, mas ao mesmo tempo contendo um tênue instinto paterno, me deixa ser meu lado mais escondido... Com você posso ser criança, ser menina, fazer pirraça...
E mesmo assim você me aconchega junto ao teu peito e afaga meus cabelos!
A certeza que você me dá de que nunca largará minha mão me deixa por momentos ser aquela outra que também habita minha alma.
Sim! Também mora em meu ser uma loba selvagem, uma fêmea cheia de instintos, uma felina possuída por desejos devassos... Sentimentos impuros que não cabem na ingênua menina!
Sou esse outro alguém que torna-se assassino de si mesmo e entrega-se plenamente como uma ave que voa livre no céu respirando o ar puro e assim explode num intenso gozo.
Não apenas o gozo da luxúria, mas sim o gozo de poder suspirar aliviada por ter alguém que proporcione-me libertar todos meus EUS até então presos pelas grades da janela de minha vida, onde apenas enxergava o céu nublado sem a esperança de sentir a brisa tocando suavemente sua face.
Hoje caminhamos de mãos dadas pelo bosque, escutando o canto dos pássaros com as lágrimas rolando num misto de emoção e alegria pela certeza de que se cair você me levantará e renovará a certeza de que algo que já não era mais possível demorou, mas chegou!
Debora Cavalheiro
Enviado por Debora Cavalheiro em 06/09/2007
Reeditado em 02/10/2010
Código do texto: T641073
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Debora Cavalheiro
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
234 textos (18973 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/10/17 01:22)
Debora Cavalheiro