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O FUTURO DA NAÇÃO

O FUTURO DA NAÇÃO

Toda vez que o assunto faz referência ao estado deplorável da infância e da juventude deste país, logo aparece alguém para mencionar a célebre frase “eles são o futuro da nação”. Eu, no entanto, não tenho tanta certeza quanto a isso. Pelo menos não no sentido que tais indivíduos pretendem dar a essa afirmação de tantos sentidos possíveis. Quando penso no futuro da nação, vem-me à mente a seguinte pergunta: o que será de nosso país assim que esses jovens virarem adultos? Começo a imaginar – e aí me dou o direito de ir muito longe – uma provável realidade, tendo como ponto de partida a vida que essas crianças enfrentam hoje. Confesso que o resultado é desanimador.
Futuro há de muitos tipos. Alguns almejam um futuro brilhante (bom salário, carro do ano, casa na cidade e na praia, muito conforto, viagens); outros lutam por um futuro seguro (emprego garantido, um lugar para morar, saúde para trabalhar, comida na mesa todos os dias). Há também os que sonham com um futuro improvável (ser rico como o Ronaldinho Gaúcho, namorar a Daniela Cicarelli, ter um apartamento em Paris, passar férias em Mônaco). A realidade, contudo, parece indicar para outros tipos de futuro. Esses meninos e meninas que estão hoje por aí, à medida que vão crescendo, parecem estar se aproximando de uma outra realidade. Alguns preparam-se – e instrutores não faltam – para serem futuros traficantes; outros, futuros assaltantes. Há os que dificilmente deixaram de ser futuros desempregados ou futuros bóias-frias (cortadores de cana, mão-de-obra escrava nas fazendas de grandes latifundiários poderosos). Existe mercado ainda para os futuros miseráveis do Nordeste, para os futuros catadores de papelão dos grandes centros. Mas os piores de todos, pelo menos no meu ponto de vista, são os futuros analfabetos. E não estou falando daqueles que não tiveram oportunidade de freqüentar uma escola. Refiro-me aos que, por todo um conjunto de circunstâncias, ficaram à margem da informação e estarão na condição de responsáveis pela manutenção de um regime político, social e econômico repugnante, que se alimenta da ignorância e da inocência de toda essa gente que é enganada e depois abandonada à própria sorte – ou deveria dizer ao próprio azar.
E muitos ainda dizem que, graças a Deus, vivemos em um lugar onde não tem furacões, não tem vulcões ativos nem guerras; que nascemos em um país “abençoado por Deus e bonito por natureza”, como já dizia Jorge Bem. Mas que diferença isso tudo faz quando se pensa em termos de futuro?

Everton Falcão
Enviado por Everton Falcão em 06/09/2007
Código do texto: T641518
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Sobre o autor
Everton Falcão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 56 anos
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