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Eles dormem pra não sonhar




Alguém está dormindo, e provavelmente outro alguém foi dormir agora. E mais, um, e mais um, e outro... E mais outro agora! Nós temos o péssimo hábito de dormir. Na-na-ni-na-não! Quanta tolice, ao menos alguns deveriam estar acordados, pra fazerem coisas boas, o correto seria esquecer Morfeu, deixar o sono morrer ao mar sem chegar, mandar seus apelos furtivos á puta que o pariu! Pois o mundo se constrói a noite, enquanto você dormia a noite passada alguém escrevia, alguém fazia sua vida crescer, simplesmente ser mais. E não porque ela precisava, imagine o quanto seria fácil dormirmos 12 horas de sono, acordarmos e vermos os melhores desenhos numa TV de plasma em um dia ensolarado, trajando pijamas listrados, sendo alguém que nós quiséssemos ser sem precisar batalhar por isso. O quão bom seria a vida recheadas de sorrisos sinceros, de pão de queijos recém saídos do forno, de cheiro de livro novo, de letras bonitas e jeito pra todas as coisas. O quão interessante seria se todas as gerações curtissem os mesmos pares de all star, sonhassem com as mesmas barbies socialites, perfeitas e donas de casa, pulassem as mesmas cordas (nem que fosse pra tarar os seios de uma menina mais velha) O quão bom, o quanto você daria? O quanto você teria? Quem seria de verdade. Deixe destas coisinhas bestas, rasgue aquela nota baixa do colegial, os comprovantes de pagamento, as receitas de bolo que não deram certo, e pense se realmente tudo o que você quer é o ideal, se o seu ideal é perfeito, se a perfeição não tem defeitos.
Por que o nosso primórdio não é pensar, pensar é destinado a poucos. A vida é dividida entre os momentos em que pensamos e sentimos, e as vezes pensando esquecemos de sentir e erramos. E não querendo me apressar em falar da vida, mas continuando na questão do erro, na questão da evolução, vamos parar este mesmo tempo e pensar o quanto nossa vida mudou. Não interessa, não se interesse com a panela no fogo, com o banho do cachorro, com o jantar para as ilustres visitas... PARE E PENSE! Nossa vida mudou tanto, daqui a um segundo não foi nada, os cálculos de ‘quanto’ se foi são imperceptíveis, mas levando em conta todo o longo caminho que fizemos, os inúmeros segundos que já contamos, olhe o que mudou, se prende nos detalhes inúteis disto que chama de vida. Quantos números você já decorou, quantos nomes, letras, senhas, códigos, frases, trechos inteiros, de coisas que você não gosta, mas precisa fazer, e de coisas que você gosta mas não pode! E será que a vida de nossos antecessores é que era boa, ou é a nossa que vai ser melhor? Pare, espere, pense: Vamos contar os segundos? ACORDE!
Tudo de bom que já se teve, o que várias décadas todas partiram, perderam, e não porque quiseram perder, partir, mas porque necessário, pra que descobrissem o que temos agora, pra que dormíssemos e descobríssemos o valor do sono sem preocupações, textos a estudar, contas a pagar, o sono brotado do cansaço de criança, e da inocência mútua de toda uma raça. De quem usava all stars, tinha a cozinha completa da barbie, fazia estradas no quintal pra construir estacionamentos, de quem comia pirulito do zorro e chupava picolé de ‘ki-suco’. De quem provou das primeiras invenções do Mc’Donalds, usou Melissa e assistiu a ‘Vovó Mafalda’, Jyraia, os incríveis Change Man, e viu os cartazes de estréia de filmes do Chuck Norris: “O homem da lei”! São sorrisos que já não existem, são vidas opostas, são agora sorrisos de quem procura preso á atualidade Balas de goma em formato de ursinho no mercado, sessões da tarde com Lagoas Azuis, discos do balão mágico e Xuxa park. Tudo para seus filhos, mas isso é ego, de um tempo que foi bom para ELES, para quem o tenta ressuscitar, porque aos deste tempo, são desenhos japoneses importados que interessam, plenos de guerra, Bart xingando Homer, Lisa fazendo discursos para Springfield. Atualizando seus perfis cheirando a leite em orkuts, msn e baladinhas de techno. De quem não conhece, mas de pessoas que precisam saber que “Todas elas cabem no nosso balão”, de que é preciso ter fé em algo que não vemos, pois “Tudo que eu quiser, o cara lá de cima vai me dar”. É esse cara que eu acho que na verdade sofre mais. Ou não, pois ele vê, nós vivemos! Mas ele, de certa forma fez e nos deu, nos usufruímos e destruímos. E porque os antecessores é que não foram melhores? É que eles não eram tão modernos, tão criativos, eram limitados, e este tiraram um pouco deste limite até um ponto que continuou a sobrevivência, repleta de Gugus e Faustões aos domingos a tarde, pintinhos amarelinhos, Alessandras Scatenas na playboy e Maras Maravilhas na Record. E a coisa melhor, e saber que foi, mas que temos saudade, e se temos saudade é porque foi bom, é porque deixamos de dormir e construímos, cantamos “piuí, piuí, piuí e não deixamos o trem descarrilar”. Deixamos construir “uma ponte em nós”. Sentir muito? Talvez seja bobagem, não somos nós quem estamos sofrendo, e se estivermos apague a luz e coloque seu filho, irmão, sobrinho para brincar no escuro, porque como reza o velho ditado “O que os olhos não vêem, o coração não sente!”



     
Douglas Tedesco
Enviado por Douglas Tedesco em 06/09/2007
Código do texto: T641690
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Sobre o autor
Douglas Tedesco
Tijucas - Santa Catarina - Brasil
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Douglas Tedesco