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Um julgamento festivo




Passei a admirar a coragem e a humildade do procurador geral da República, desde que ele agiu denunciando os 40 mensaleiros e, agora, por ocasião do início dos trabalhos do STF, vê-lo apresentado às câmeras da instituição, para todo o Brasil, reforça ainda mais a minha opinião a seu respeito. Para mim ele já é um vencedor, independentemente dos rumos que darão à ação desse grupo de contraventores do mensalão. Vou pagar para ver o que acontecerá com os 40 anjos sem seu Alibabá.
Há um grande teatro armado, fogueira de vaidades e um tom vetusto ressoando nas arestas do tribunal. Uns xingam, outros condenam, outros absolvem e alguns se divertem, sendo estes absolutamente dispensáveis no bojo geral do espetáculo. Vê-se também um sóbrio linguajar de alguns mais comedidos e ou responsáveis, o que noutros nem tanto se vê.
Houve um clamor social por ocasião do desbaratar do bando e a televisão do Senado e a da Câmara foram atrações disputadas por grande audiência. Hoje não se vê o mesmo interesse de outrora. Parece que ele  se diluiu nesses dois anos que passaram.
O Império da representação teatral de muitos advogados está enchendo a corte com um palavrório bonito que, em muitas vezes, é além de enganoso para o público leigo, perigoso enquanto reúne forças para absolver bandidos e prender inocentes. É o caso de Alibabá que não foi encontrado ainda e talvez esteja comendo amêndoas e mel com Osama Bin Laden nas montanhas frias do Afeganistão, como se, em lá estando, se sentisse  em seu burgo natal.
Há quem veja nisso tudo uma entonação bem ensaiada e que já haja caminhos livres como uma linda passarela para desfilarem os culpados, livres e alegres. Muitos dos julgadores, às vezes, perdem mesmo o contato exigido com a realidade e pecam descabidamente. Tomara que eu esteja enganado.
Diante do nepotismo que ainda vive, até aqui em nosso Estado, desafiando a lei e a justiça, com criminosos, gargalhando à espera do julgamento que nunca chega, em que devemos mesmo crer?
Antônio Fernando, o denunciante, procurador geral da República, esse, sei que merece o nosso aplauso cidadão. Se esse homem enxergar um desatino como resposta ao seu trabalho digno, quase heróico, qual a motivação que ele terá para continuar denunciando as quadrilhas que agem sob paletós e gravatas, sem suarem, de sol-a-sol, conveniados  até com homens do Taliban de Osama?
O Dr. Antônio excedeu à sua coragem cívica. Não temeu a odiosa represália de nenhum dos 40, nem do sumido Alibabá.
E, por fim, ainda pôs em seu relatório uma frase que achei mansamente verdadeira, referindo-se às quadrilhas. Ele comparou seus membros aos do  “Submundo do crime”.
Esperamos que o reality-show não seja suficientemente forte para abafar a mansuetude da verdade denunciada por nosso Procurador que, diga-se sem medo de errar, está de parabéns,  esse pagador de impostos e comedor de feijão com arroz como todos nós. Saúde e vida longeva para ele e cadeia para os culpados! E para Alibabá? É uma pena que ainda não o tenham descoberto...
Paulino Vergetti Neto
Enviado por Paulino Vergetti Neto em 09/09/2007
Código do texto: T644772
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulino Vergetti Neto
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 59 anos
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Paulino Vergetti Neto

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