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Mulheres marias

  Mais uma vez a procissão de São Sebastião e lá estavam elas:mulheres tristes e recolhidas,possuídas pela rotina do dia a dia massacrante e sem graça.Havia naquelas mulheres uma denúncia silenciosa.
  Eram mulheres marias que iam e que vinham com suas mãos calejadas pela labuta diária e sem trégua .Faziam o fogo,punham a mesa com esmero,varriam o assoalho,lavavam toda a roupa usada,mas mesmo assim,não eram mais que marias...
  Sabiam-se apenas mulheres,a quem fora negado o poder de decidir sobre suas próprias vidas.Eram mulheres que não podiam  fazer suas escolhas,nem proferiam a última palavra nas decisões
 familiares.Ouviam,acatavam,resignavam-se e seguiam à risca as determinações masculinas.
  Tinham sonhos,que nunca ousariam revelar.Não lhes era dado o direito de sonhar.Conformavam-se.Tomariam mais uma dose daquele cotidiano previsível,inevitável e prosseguiriam.Rezariam as novenas e seguiriam a procissão de São Sebastião,quem sabe ele ouviria suas preces secretas,concedendo-lhes a graça de viver um pouquinho do
muito que sonharam.

DIULINDA GARCIA,Texto inédito,setembro/07.
Diulinda Garcia de Medeiros
Enviado por Diulinda Garcia de Medeiros em 10/09/2007
Reeditado em 18/08/2013
Código do texto: T646776
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Diulinda Garcia de Medeiros
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil
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Diulinda Garcia de Medeiros

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