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UMA QUESTÃO DE AMOR


É de consenso que algumas atitudes humanas só podem ser justificadas pelo amor. O cidadão que leva um pouco de alimento a uma família que nada tem para comer ou distribui agasalhos aos que não têm como se proteger do frio, a professora que recebe de volta o aluno que a agrediu, o jovem que vai a um hospital doar sangue porque um amigo depende disso para sobreviver, tudo isso são apenas alguns exemplos de atos de puro amor. São amores diferentes, é claro, mas, ainda assim, o mais sublime dos sentimentos humanos.
No entanto, acredito eu, talvez na minha santa ignorância, que cometamos uma séria injustiça ao darmos tanta importância a atos que consideramos até heróicos e não prestarmos quase nenhuma atenção a muitos outros, quem sabe, por achá-los de menor valor. Vejo isso como uma espécie de distorção na nossa escala de valores, atropelada pela necessidade de nos fazermos mais importantes do que somos, por meio de atitudes, digamos, mais elevadas no conceito geral. Agimos como os políticos que não investem em saneamento básico para uma população carente, porque isso não vai aparecer aos olhos do povo, mas enterram fortunas em obras monumentais que não beneficiam ninguém, a fim de que todos vejam quão marcante foi sua passagem por este mundo.
O fato é que vejo o ato de doar-se como o de maior magnitude na escala do que possa ser entendido como representação do amor entre os homens. Mas falo de uma doação sem levar em conta “quanto isso vai me render no futuro?” Mais do que isso, falo de situações tão simples que nem parecem ter importância, aquelas que consideramos “menores”, mas que podem fazer tanta diferença quanto um pulmão novo para quem quase não consegue mais respirar. Sou defensor da opinião de que devemos estar preparados para perceber que, muito perto de nós, talvez, haja alguém cuja vida poderia se tornar muito melhor se doássemos cinco minutos do nosso tempo para, simplesmente, ouvi-lo. Aliás, é bem provável que muitas outras pessoas tivessem um pouco mais de esperança e até sofressem menos, se nos dispuséssemos a doar-lhes algumas palavras de conforto e de incentivo. Atrevo-me a dizer até que, certamente, muitos outros ainda seriam mais felizes se tivéssemos a coragem de lhes doar um pouco de afeto e de confiança. E o melhor de tudo é que, em todos esses casos, sempre haveria, pelo menos, dois beneficiados: o doador e o alvo desse ato de supremo desprendimento.
Parece que, muitas vezes, esquecemos que nenhuma grande obra é construída sem que se coloque tijolo por tijolo, num trabalho árduo e, talvez, longo. Assim, pode ser prudente que passemos a enxergar as mais simples das oportunidades como fundamentais para a construção da nossa obra.
E discordem de mim os que quiserem, mas acredito estarmos por aqui para servir nossos semelhantes. E não vejo forma melhor para isso do que dar ao outro aquilo que nada nos custa, mas cujo valor é inestimável: um pouco de amor.

Everton Falcão
Enviado por Everton Falcão em 11/09/2007
Código do texto: T647139
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Sobre o autor
Everton Falcão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 56 anos
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