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Quarteto Fantástico

    Quando temos uma irmã mais velha que em uma determinada fase detesta nossa presença, o jeito é se divertir com os primos. Eles são muito mais legais e falam a nossa língua. Todos praticamente da mesma idade, com as mesmas brincadeiras e interesses.

    A Paulinha era nossa caçulinha, e por isso era chamada assim. Aliás, por ser baixinha, até hoje chamamos ela no diminutivo. Eu do alto dos meus 1,61m e MEIO (esse meio é muito importante)  posso falar com propriedade. Sabe como é... ham... ham...

    Adorávamos o fato dos pais da Paulinha serem separados, pois o pai dela liberava a conta do supermercado e nossos piqueniques eram fartos, dignos de um filme. Era assim, a Paulinha bancava toda a comida, eu dava a toalha para gente sentar em cima e ainda brigava com a Fernanda por que ela não dava nada. Não era uma cara-de-pau, era uma cabeça de madeira mesmo. Pobre da Nanda. Penou em minhas mãos.

      O Ricardo era “foda”. Aprontava todas e na hora do "vamos ver" ele pulava fora e a mãe dele nos massacrava num canto. Eu já nem tentava me defender, pois sabia que seria em vão. Só baixava a cabeça e deixava que a culpa que não era minha caísse sobre mim e minhas primas.  Mas adorava brincar com ele de barquinho no bueiro que ele tinha bem em frente à casa dele. Puxa! Ele tinha um bueiro só pra ele! Adorava a entrada da garagem que tinha um cano e o barco atravessava aquilo e saía lá do outro lado.

      Lembro do dia que obriguei a Fernanda a tomar um café que preparei. Era açúcar com algumas gotas de café na verdade. Ela quase vomitou, mas tomou  tu-di-nho.

     Brinquei muito na minha infância. Extrapolei as barreiras da imaginação. Ralei os bicos dos sapatos, me atirei de cima do tanque fazendo bola de chiclé, me ralei toda lá em baixo por não conseguir voar.

      Já fui She-ha e pelos poderes de “Greiscow” virei mulher. Hoje estamos separados. Cada primo em uma cidade e eu morro de saudades de conversar com eles. Parece que nós ainda existimos lá... Em algum lugar... mas assumimos uma outra identidade em caminhos totalmente diferentes.

      Hoje não somos mais crianças. A Paulinha é super-mãe de dois filhos lindos. O Ricardo é empresário em Bagé. A Fernanda é uma quase quiropraxista em Porto Alegre. E eu? Bem, vocês sabem... Eu sou uma maluca que morre de saudades desses três.


Renata Miranda
Enviado por Renata Miranda em 11/09/2007
Reeditado em 12/09/2007
Código do texto: T647636

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Sobre a autora
Renata Miranda
Caçapava do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
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Renata Miranda