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O RUBEM TINHA RAZÃO

O RUBEM TINHA RAZÃO

OSNI de assis e SILVA

Aquele moleque. Essa turma de moleques. Cansei de ouvir, até os meus quinze anos. E todos sabiam que o “moleque” era um menino de pouca idade e, astuto e que aprontava algumas coisas sem gravidade. Quase todos, naquela faixa de idade, eram moleques.
Os moleques sumiram do meio. Pilhéricos e com suas brincadeiras próprias, bolas feitas de meias, brinquedos de caixa de fósforo, papelão, madeira, carrinhos de rolimã e tantos outros, não podendo esquecer o “pião”, a “bolinha de gude” e o “finco”. Vida alegre, saudável e que aumentava o trabalho das mães quando iam lavar as roupas – completamente sujas! Existiam os sapatos, poucas variedades e marcas, os chinelos, o sapato colegial, e o tênis. Ah!... e o saudoso e inesquecível tamanco, utilizado por operárias das fábricas de tecidos. Muitas vezes acordei cedo, com o barulho dos tamancos nas calçadas.
Pois bem, os moleques sumiram.
Surgiram grupos, formando o que se chamou de “juventude transviada”. O ritmo de música era outro, as brincadeiras inocentes já não existiam mais. Jaquetas e calças Jeans para a maioria dos rapazes e para alguns jaqueta, calça Jeans e motocicleta. A coisa piorou um pouco, os hábitos deram os primeiros indícios de brincadeiras de mau gosto e de irresponsabilidade. A juventude transviada teve seu período, não longo.
E como sumiram os moleques, sumiram também os daquela juventude transviada. A moda já é “marginal”, “menor abandonado” e alguns de alta periculosidade. As brincadeiras são mais graves, os divertimentos tipo “baile Funk” expõem toda a agressividade íntima, como forma de brincar. Não existe “flerte”, o negócio já é direto, passageiro: ficar, picar, etc., são palavras comuns, sexuais, e mais outras utilizadas no mundo da marginalidade.
E o negócio não tem remédio. É daí para pior...
Parece que o Rubem Braga, festejado cronista, lá pelos idos de 1958, adivinhava o futuro: “... E se não houver menores abandonados várias senhoras beneficentes ficarão sem ter o que fazer. E vários senhores que falam na televisão sobre o problema dos menores

abandonados não terão o que dizer”.
É, o Rubem parece que tinha razão!...

Karuk
Enviado por Karuk em 29/10/2005
Código do texto: T64981
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Sobre o autor
Karuk
São João Del Rei - Minas Gerais - Brasil, 76 anos
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